Para Kil de Freitas, a culpa é do ex-governador

Em entrevista, Areski Freitas afirmou que um "ex-governador do Estado" atrapalhou a reconstrução do matadouro de União


Publicado em: 10/07/19 às 11:28 por Redação | Atualizado em 11/07/2019 às 7:30



Prefeito Areski Freitas — © Arte: BR104

Política — Durante entrevista ao programa Tribuna Livre, na rádio Quilombo, na manhã da última segunda feira (08), o prefeito de União dos Palmares, Areski Freitas Júnior (PMDB), o Kil, trouxe à memória uma situação que ocorreu entre os anos de 2010 e 2012, e também uma incógnita.

Entre os municípios atingidos pela enchente de 2010, União foi a única cidade que teve o matadouro destruído pela cheia. Com isso, os marchantes tiveram que usar parte da estrutura que sobrou depois que as águas baixaram, que aos poucos estava sendo reconstruído pela gestão.

“A cidade foi a única que teve o matadouro derrubado pela cheia. Não caiu todo não, mas caiu um pedaço grande. Ficou toda parte lá de trás, de abate de pequenos animais funcionando, e metade da frente, do abate de grandes animais. E ai, quem se lembra disso, sabe que junto com Maurício engenheiro e toda turma lá, começamos, devagarinho, a refazer o matadouro. Não poderíamos fazer de forma rápida, pois chamaria a atenção e já havia  a intenção do IMA de proibir o matadouro da gente aqui”, disse.

Ele acrescenta que mesmo de forma provisória e irregular, o local continuou sendo utilizado pelos marchantes para o abate de animais. No entanto, uma denúncia de matança chegou ao Ministério Público (MP), que o convocou para uma reunião com os trabalhadores. Sem citar nomes, Kil disse que a denúncia foi feita por um “fazendeiro que tinha sido governador do Estado”.

“Eu fui chamado pelo MP, à época o Dr. Jorge Bezerra, para uma reunião com os marchantes e a gestão, e a Prefeitura. Naquela época, o Dr. Jorge disse olha, tem um fazendeiro, e disse o nome, muito conhecido, inclusive tinha sido até governador do Estado, que denunciou que o sr. prefeito está fazendo matança nesse matadouro ai que foi atingido pelas águas. Isso é proibido e o sr. vai ser processado”, pontuou.

O prefeito continuou a entrevista afirmado a pratica ao promotor, mas foi intimado pelo órgão a derrubar o que restou do matadouro para a construção de um novo no local. Kil foi até o então governador Teotônio Vilela, a quem pediu recursos para a construção de um novo matadouro, sendo informado de que haviam cerca de R$ 14 milhões para a construção dos matadouros de União dos Palmares e Viçosa.

A pedido de Teo, Areski conseguiu um terreno, na Várzea Grande, que foi desapropriado em 2012 para dar início às obras do novo abatedouro. “Passou-se o tempo, nós perdermos a eleição com o Mano e veio o Beto. Quando eu sai da Prefeitura, fiquei só ouvindo as notícias: ‘olha, o IMA disse que o terreno lá da Várzea Grande não serve, tem que arranjar outro terreno’. Poxa vida! Mas gente já tinha a desapropriação daquele terreno, era só ter substituído por outro terreno”, frisou.

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“Se tivesse feito isso; se o Beto tivesse feito isso; se o Eduardo tivesse feito isso, naquela época, o governador teria construído, até porque tinha recurso em caixa. Tanto tinha, Alexander [radialista], que o de Viçosa foi construído. O de Viçosa é exatamente da mesma época, do mesmo tempo, e tá lá pra ser inaugurado. Uma ‘micro indústria’. Um matadouro de R$ 7 milhões. Nós perdemos esse recurso porque não houve a substituição do terreno que deixei e nem a desapropriação de outro terreno durante a gestão dos antigos prefeitos”, completou.

Quem é o ex-governador?

Em um trecho da entrevista, Areski Freitas afirmou, sem citar nomes, que um “fazendeiro que tinha sido governador do Estado”, havia feito uma denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE) sobre uma matança irregular de animais, e acabou sendo convocado pelo órgão para uma reunião com os trabalhadores.

Ele afirmou que, mesmo de forma provisória e irregular, o local continuou sendo utilizado pelos marchantes para o abate de animais, e que aos poucos estava reconstruindo o matadouro. No entanto, devido a uma denúncia, foi intimado pelo MP a derrubar o que restou do lugar para a construção de um novo, o que atrapalhou as ‘obras’.

Na fala do gestor, fica subentendido que o fazendeiro citado teria sido o ex-governador Manoel Gomes de Barros, o Mano, já que o único fazendeiro da região que já havia sido governador do Estado era ele. Inclusive, o matadouro estava localizado na área de sua propriedade.

Entretanto, fica a incógnita de quem seria o ex-governador citado por Kil, tendo em vista que na mesma época do ocorrido, Manoel Gomes de Barros era seu aliado político. Além disso, vale ressaltar que Mano foi apoiado por Kil nas eleições de 2012, onde ele seria sucessor do então gestor municipal, mas foi derrotado por Beto Baía (PSD).

Ouça o áudio na íntegra da entrevista: