Alagoas (AL) – Mesmo cumprindo pena em regime de prisão domiciliar na Orla de Maceió, o ex-presidente Fernando Collor de Mello seguiu como um dos maiores consumidores de recursos públicos destinados a ex-chefes do Executivo federal em 2025.
Dados oficiais da Casa Civil apontam que os gastos vinculados ao político alagoano ultrapassaram R$ 2,27 milhões apenas no último ano.
O valor chama atenção não apenas pelo montante, mas pelo contexto. Collor está condenado a oito anos e dez meses de prisão, em decisão transitada no Supremo Tribunal Federal, e teve autorizada a prisão domiciliar por razões de saúde e idade.
Ainda assim, o benefício vitalício concedido a ex-presidentes seguiu ativo ao longo do ano.
Passagens, locomoção e hotéis lideram despesas
Entre todos os ex-presidentes beneficiados, Collor aparece no topo quando o assunto é gasto com passagens aéreas, deslocamentos e diárias em hotéis. Somente essas rubricas somaram R$ 1,03 milhão em 2025.
Segundo os registros oficiais, os valores custearam despesas dos servidores que integram a estrutura garantida por lei aos ex-presidentes.
O benefício assegura motoristas, veículos oficiais, assessores e equipe de apoio, independentemente de o ex-mandatário estar em exercício de atividade pública.
No caso de Collor, a situação ganha contornos ainda mais sensíveis. O ex-presidente cumpre a pena em um imóvel de alto padrão localizado na orla da Ponta Verde, uma das áreas mais valorizadas da capital alagoana.
A legislação em vigor não prevê a suspensão automática do benefício vitalício em caso de condenação criminal. Por esse motivo, a estrutura custeada pela União foi mantida durante quase todo o período.
Em 2025, Collor ficou atrás apenas da ex-presidente Dilma Rousseff no ranking geral de gastos, mas superou todos os demais quando analisado o consumo com transporte e locomoção.
O caso chegou ao Judiciário. Decisões de primeira instância chegaram a suspender parcialmente o uso de veículos e motoristas oficiais, sob o argumento de que a estrutura foi criada para ex-presidentes em plena circulação pública.
No entanto, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região reverteu parte das restrições, considerando fatores como idade avançada e condições de saúde. A Corte entendeu que a supressão total do benefício poderia gerar risco à dignidade.
Mesmo afastado da vida política ativa, Fernando Collor segue figurando entre os ex-presidentes que mais impactam o orçamento público federal — com reflexos diretos na percepção da sociedade alagoana sobre o uso do dinheiro público.
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