Milton Pereira da Silva Neto e Jonas Paulo Santana Cané foram condenados nesta quinta-feira (2) a 28 anos de prisão pelo homicídio de Pedro Lúcio dos Santos, de 47 anos, torcedor do CSA que morreu após ser brutalmente espancado nas proximidades do Estádio Rei Pelé, em Maceió. O crime ocorreu em maio de 2023, logo após a partida entre CSA e Confiança, no bairro Trapiche da Barra. O júri popular foi realizado no Fórum da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal, que destacou em sua sentença a gravidade e a premeditação da ação criminosa.
Pedro Lúcio, conhecido como Peu, estava deixando a região do estádio quando foi cercado por um grupo de torcedores rivais. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a agressão não foi fruto do acaso, mas sim planejada como vingança à morte de um membro da torcida organizada do CRB, à qual os acusados pertenciam. Testemunhas afirmaram que o torcedor do CSA foi surpreendido e espancado por várias pessoas, não resistindo aos ferimentos.
Durante o julgamento, o juiz Geraldo Amorim destacou que o crime foi premeditado e organizado em detalhes. Segundo os autos, Jonas Cané assumiu a função de motorista em um dos veículos usados no ataque, levando Milton e outros homens armados até o local e dando apoio à fuga logo após a agressão. Milton, por sua vez, participou diretamente do espancamento que resultou na morte da vítima. Para o magistrado, a divisão de tarefas mostra que a ação foi “orquestrada anteriormente, com participação dos réus e de terceiros”, o que aumenta a gravidade do delito.
A sentença ainda ressaltou que os condenados integravam um grupo responsável por reiteradas ações violentas contra torcedores de times adversários. Um dos pontos considerados no julgamento foi a existência de um grupo de WhatsApp em que os participantes organizavam arrecadações, chamadas de “vaquinhas”, para reparar danos em veículos usados em confrontos. Para a Justiça, esse detalhe reforça o caráter organizado e persistente da violência ligada às torcidas.
Além do homicídio, Milton e Jonas também foram denunciados por corrupção de menores, mas acabaram absolvidos dessa acusação pelos jurados. No plenário, os dois negaram qualquer envolvimento no crime, mas os argumentos da defesa não convenceram o conselho de sentença, que entendeu que as provas apresentadas eram suficientes para responsabilizá-los pela morte de Pedro Lúcio.
Com a condenação, os réus deverão cumprir as penas em regime inicialmente fechado, sem acesso imediato a benefícios como progressão de regime ou liberdade condicional. A decisão foi acompanhada por familiares da vítima, que compareceram ao julgamento em busca de justiça.
