Justiça

Nepotismo no TJAL: CNJ identifica parentes de magistrados em cargos comissionados

Inspeção do CNJ no TJAL identifica casos de nepotismo em cargos comissionados. Exonerações podem ocorrer nas próximas semanas por ordem do Conselho.

TJAL | © Caio Loureiro
TJAL | © Caio Loureiro

Durante a inspeção anual realizada nesta semana no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou indícios claros de nepotismo em cargos comissionados e funções de confiança. A fiscalização faz parte de uma agenda rotineira promovida pelo órgão com foco no cumprimento das normas administrativas, legais e éticas dentro do Poder Judiciário.

A equipe do CNJ percorreu setores administrativos e judiciais da Corte alagoana e levantou casos em que familiares de desembargadores e outros magistrados ocupam funções estratégicas que deveriam ser preenchidas com base no critério da impessoalidade. As situações observadas contrariam diretamente a Resolução nº 07/2005 do próprio Conselho, que proíbe expressamente esse tipo de vínculo funcional.

Conforme a regulamentação vigente, é vedado o exercício de cargos de provimento em comissão ou de funções gratificadas por cônjuges, companheiros ou parentes — em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau — de magistrados que atuem no mesmo tribunal. Apesar da norma estar em vigor há quase duas décadas, os fiscais constataram o descumprimento reiterado no Judiciário alagoano.

Relatório deve exigir exoneração de parentes em desacordo com a norma

Com base nas irregularidades constatadas, o CNJ deverá incluir no relatório da inspeção a recomendação pela exoneração imediata dos servidores que estejam ocupando os cargos de forma indevida. A expectativa é que o documento seja enviado à presidência do TJAL nas próximas semanas, acompanhado de orientações formais sobre o cumprimento da legislação que veda o nepotismo.

A visita do CNJ a Alagoas seguiu os critérios técnicos aplicados em todos os estados brasileiros. A fiscalização considera não apenas o desempenho funcional e a produtividade das unidades, mas também a conformidade com regras administrativas, condutas éticas e princípios constitucionais como a moralidade e a transparência.

A prática de nomear parentes de autoridades para cargos estratégicos, embora ilegal, ainda é recorrente em alguns tribunais. A atuação do CNJ reforça o compromisso com o combate a esse tipo de favorecimento, que compromete a credibilidade do sistema de justiça e a confiança da população nas instituições públicas.

TJAL se mantém em silêncio até divulgação oficial do CNJ

O Tribunal de Justiça de Alagoas, procurado para comentar os apontamentos feitos pela equipe do CNJ, informou que aguardará a conclusão do relatório para adotar qualquer medida ou se posicionar publicamente sobre o tema. Até o momento, não houve manifestação sobre a possibilidade de exonerações ou sobre a existência formal de parentes de magistrados nos quadros funcionais.