O ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello, e o advogado e influenciador digital João Neto estão atualmente detidos na mesma unidade prisional: o Presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió, Alagoas.
A coincidência chama atenção por envolver duas figuras públicas de grande repercussão nacional, ainda que por motivos bastante distintos.
Collor cumpre pena de quase 9 anos
Fernando Collor foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente foi acusado de receber mais de R$ 20 milhões em propinas relacionadas a contratos entre a BR Distribuidora e empresas privadas, em esquema desbaratado pela Operação Lava Jato.
Em respeito ao Estatuto da Pessoa Idosa e à sua trajetória política, Collor está custodiado no “Módulo Especial” da penitenciária, ala destinada a detentos com prerrogativas específicas. No entanto, a defesa do ex-presidente solicitou conversão da pena em prisão domiciliar, alegando seu estado de saúde frágil. A solicitação ainda está sob análise.
João Neto responde por violência doméstica
Já o advogado e influenciador João Neto foi preso em flagrante no dia 14 de abril de 2025, após câmeras de segurança registrarem agressões contra sua companheira em um apartamento no bairro da Jatiúca, em Maceió. Sua prisão foi convertida em preventiva e, após atendimento médico no Hospital Geral do Estado (HGE), ele foi transferido ao mesmo Presídio Baldomero Cavalcanti.
João Neto ficou conhecido nas redes sociais com bordões como “no coco e no relógio”, somando mais de 2 milhões de seguidores. Agora, responde a acusações de lesão corporal com base na Lei Maria da Penha. Seu processo tramita sob segredo de Justiça.
Condições da penitenciária
O Presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira é uma das principais unidades prisionais de Alagoas, mas também já foi alvo de denúncias de superlotação e condições inadequadas de infraestrutura. A unidade reserva alas específicas para presos com ensino superior, idosos ou pessoas com notoriedade pública.
Atualmente, tanto Collor quanto João Neto estão em alas separadas da massa carcerária comum, seguindo protocolos de segurança.
Dois nomes de peso, duas histórias diferentes
Enquanto Collor cumpre pena por crimes ligados à corrupção no exercício de funções públicas, João Neto enfrenta acusações de violência doméstica. Ainda que os processos sejam distintos em natureza e gravidade, ambos agora dividem o mesmo complexo prisional — uma coincidência que marca mais um capítulo da história política e judicial de Alagoas.
