Nos últimos dias, circulou nas redes sociais a informação de que a Usina Utinga Leão teria firmado contrato para arrendar a Usina Laginha, localizada em União dos Palmares, parte da massa falida do Grupo João Lyra. O suposto acordo gerou reação imediata de lideranças ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acampados nas terras da Laginha, que chegaram a se mobilizar em protestos contra a medida.
A reportagem do BR104, no entanto, apurou que a notícia não se confirmou. Não houve assinatura de contrato de arrendamento envolvendo a Utinga Leão e a unidade industrial de União dos Palmares. Fontes ligadas ao processo judicial reforçaram que qualquer negociação dessa natureza precisaria passar por autorização da Justiça responsável pela condução da falência.
Impasses jurídicos travam reativação da usina
A Usina Laginha integra a massa falida da antiga Laginha Agro Industrial S/A, pertencente ao falecido ex-deputado João Lyra. Desde a decretação da falência, o processo vem sendo marcado por disputas jurídicas, avaliação de ativos e tentativas de viabilizar arrendamentos em algumas unidades.
No caso específico da usina de União dos Palmares, os entraves judiciais e a necessidade de homologação pelo juízo da falência tornam qualquer arrendamento um processo complexo e demorado. Até o momento, não há registro oficial de autorização para operação da unidade por outra empresa.
Como parâmetro, o exemplo mais claro ocorreu na Usina Uruba, em Atalaia (AL). Ali, após anos de disputa, a Justiça autorizou o arrendamento à cooperativa Copervales, medida que garantiu a retomada da produção e a manutenção de milhares de empregos. Essa experiência mostra que, quando há arrendamento, o ato é formalizado e amplamente comunicado no processo judicial — o que não ocorreu em relação à Laginha.
Além dos impasses sobre o futuro da Usina Laginha, outro ponto delicado do processo é a destinação dos recursos para pagamento dos credores da massa falida. A venda e os arrendamentos das demais unidades foram direcionados justamente para garantir quitação parcial das dívidas bilionárias herdadas do Grupo João Lyra, que envolvem trabalhadores, fornecedores e instituições financeiras. Ainda assim, a fila de credores segue extensa, e cada movimentação judicial gera expectativa entre aqueles que aguardam há anos pela reparação.
