União dos Palmares

Moradores barram despejo em fazenda da antiga Usina Laginha; defesa aponta falta de ordem judicial

Representantes da massa falida iniciaram a retirada de telhados de casas alegando cumprimento de ordem judicial, mas advogado das famílias barrou a ação

Atualizado 2 meses atrás
moradores e advogado dialogam com policiais durante tentativa de despejo em fazenda da antiga usina laginha
Moradores e advogado dialogam com policiais militares durante tentativa de despejo na Fazenda Santo Antônio da Lavagem, área ligada à antiga Usina Laginha; defesa sustenta ausência de ordem judicial. (Foto: BR104)

UNIÃO DOS PALMARES — Um clima de tensão marcou a Fazenda Santo Antônio da Lavagem, localizada nas terras da antiga Usina Laginha, em União dos Palmares. Representantes da Massa Falida da usina estiveram no local para realizar o despejo de famílias e iniciaram a retirada de telhados de algumas residências, sendo parados apenas após a chegada da Polícia Militar e do advogado dos moradores.

A ação gerou revolta na comunidade, composta majoritariamente por ex-trabalhadores da usina e seus descendentes, que residem no local há décadas.

“Sem ordem judicial específica”

O advogado Dr. Vinicius Batista, que representa as famílias, explicou ao BR104 que a tentativa de despejo foi irregular. Segundo ele, os representantes da Massa Falida apresentaram um documento genérico, destinado à retirada de movimentos de ocupação de terras (como os Sem Terra), e tentaram aplicá-lo aos moradores do povoado.

“Houve um processo judicial para retirada de sem terras e outros povos adversos que estavam ocupando a localidade. Mas, neste povoado em específico, a gente impetrou um processo à parte para garantir o direito à moradia. São pessoas antigas, trabalhadores da própria Usina Laginha que se encontram morando aqui há mais de 50 anos”, explicou o advogado.

Dr. Vinicius reforçou que não houve notificação prévia: “Vieram nesta localidade para despejar as casas, para retirar os próprios moradores sem ordem judicial específica, sem ordem de despejo e sem comunicação alguma”.

advogado e moradores discutem tentativa de despejo em fazenda da antiga usina laginha com presenca policial

Advogado e moradores dialogam com a polícia durante tentativa de despejo na Fazenda Santo Antônio da Lavagem, área ligada à antiga Usina Laginha; defesa aponta ausência de ordem judicial. (Foto: BR104)

O Drama de Dona Lita

Um dos casos mais dramáticos foi o da moradora conhecida como Dona Lita. Ela havia saído para uma consulta médica em Maceió e, ao retornar, encontrou homens em cima de sua casa retirando as telhas.

“Eu tinha ido para o médico em Maceió. O meu genro me trouxe e estava tudo aqui, que nem vocês viram: tudo arrebentado e tudo tirado”, relatou a moradora, visivelmente abalada.

Dona Lita, que afirma morar no local desde criança, fez um apelo emocionado: “A gente não quer terra de ninguém, só a casa para morar. Criei meus filhos aqui. É muito triste, não só comigo, como fazer com outras pessoas. Estão todos com medo”.

A Polícia Militar foi acionada pelo advogado e garantiu a segurança no local, impedindo a continuidade da remoção dos telhados sem o devido respaldo legal. Foi constatado que a casa que estava sendo destelhada não estava abandonada, como alegaram inicialmente os representantes da Massa Falida, mas sim habitada por Dona Lita.

advogado e moradores discutem tentativa de despejo em fazenda da antiga usina laginha com presenca policial

Moradores impedem cumprimento de despejo na Fazenda Santo Antônio da Lavagem, área pertencente à antiga Usina Laginha; defesa alega ausência de ordem judicial. (Foto: BR104)

O caso agora segue para a delegacia, onde será registrado um Boletim de Ocorrência (B.O.). A defesa dos moradores informou que já protocolou ações de interdito proibitório e usucapião para garantir a posse das famílias que vivem no povoado Santo Antônio da Lavagem há gerações.

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