UNIÃO DOS PALMARES (AL) — A evolução de Tiago Miguel, uma criança autista de cinco anos residente em União dos Palmares, está sob ameaça.
Após conquistar autonomia em atividades básicas graças a terapias garantidas por uma decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), a família agora enfrenta uma barreira financeira: a operadora Unimed passou a cobrar valores de coparticipação que já somam R$ 17 mil.
Antes das terapias, Tiago não se comunicava e dependia totalmente da mãe, Maria Clécia Salustiano, para funções simples como comer.
A decisão judicial foi a única saída encontrada pela família para que a operadora custeasse o tratamento por tempo indeterminado.
“Eu preciso continuar lutando pelo meu filho para que ele se torne um adulto funcional, que tenha autonomia de seguir a vida dele quando eu não estiver mais aqui”, desabafou Clécia em entrevista à Gazeta Web.
O caso palmarino reflete uma realidade estadual. Alagoas é o estado com a maior probabilidade de vitória dos pacientes contra planos de saúde e o SUS, com 92% de decisões favoráveis.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o TJAL recebeu mais de 7 mil novas ações de judicialização da saúde.
Embora a cobrança de coparticipação não seja ilegal por si só, advogados alertam que ela se torna abusiva quando os valores inviabilizam o acesso à saúde, objeto principal do contrato.
Para Maria Clécia, o acúmulo das taxas entre dezembro e fevereiro gerou uma dívida impagável, trazendo o medo de que as terapias sejam bloqueadas já no próximo mês.
A Defensoria Pública de Alagoas aponta que o aumento desses casos é o sintoma de um sistema de saúde que não responde às necessidades da população, tornando a Justiça a “única porta” de acesso.
Em nota, a Unimed afirmou que as cobranças estão previstas em contrato, mas não se posicionou sobre os riscos de cancelamento do atendimento de Tiago.
Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@br104.com.br.
