União dos Palmares

Cobrança ameaça terapia garantida pela Justiça a criança autista em União dos Palmares

Tiago Miguel conquistou autonomia após decisão judicial contra plano de saúde; no entanto, dívida acumulada de R$ 17 mil em coparticipação gera medo de interrupção do tratamento.

Em uma igreja iluminada, uma mulher sorridente vestindo um vestido branco longo está de pé atrás de um menino de cinco anos (Tiago Miguel). O menino usa uma camisa branca de manga curta, suspensórios marrons e shorts bege. Ao fundo, um altar de mármore com três estátuas religiosas em nichos de madeira, ladeado por vitrais coloridos em tons de amarelo e azul.
Luta pela autonomia: Maria Clécia e o filho Tiago Miguel enfrentam cobranças de R$ 17 mil para manter terapias garantidas pela justiça. (Foto: Arquivo pessoal)

UNIÃO DOS PALMARES (AL) — A evolução de Tiago Miguel, uma criança autista de cinco anos residente em União dos Palmares, está sob ameaça.

Após conquistar autonomia em atividades básicas graças a terapias garantidas por uma decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), a família agora enfrenta uma barreira financeira: a operadora Unimed passou a cobrar valores de coparticipação que já somam R$ 17 mil.

Antes das terapias, Tiago não se comunicava e dependia totalmente da mãe, Maria Clécia Salustiano, para funções simples como comer.

A decisão judicial foi a única saída encontrada pela família para que a operadora custeasse o tratamento por tempo indeterminado.

“Eu preciso continuar lutando pelo meu filho para que ele se torne um adulto funcional, que tenha autonomia de seguir a vida dele quando eu não estiver mais aqui”, desabafou Clécia em entrevista à Gazeta Web.

O caso palmarino reflete uma realidade estadual. Alagoas é o estado com a maior probabilidade de vitória dos pacientes contra planos de saúde e o SUS, com 92% de decisões favoráveis.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o TJAL recebeu mais de 7 mil novas ações de judicialização da saúde.

Embora a cobrança de coparticipação não seja ilegal por si só, advogados alertam que ela se torna abusiva quando os valores inviabilizam o acesso à saúde, objeto principal do contrato.

Para Maria Clécia, o acúmulo das taxas entre dezembro e fevereiro gerou uma dívida impagável, trazendo o medo de que as terapias sejam bloqueadas já no próximo mês.

A Defensoria Pública de Alagoas aponta que o aumento desses casos é o sintoma de um sistema de saúde que não responde às necessidades da população, tornando a Justiça a “única porta” de acesso.

Em nota, a Unimed afirmou que as cobranças estão previstas em contrato, mas não se posicionou sobre os riscos de cancelamento do atendimento de Tiago.

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