Acusado de escravizar idoso em União participa de audiência de custódia

Ministério Público Estadual (MPE/AL) requereu a declinação da competência do caso para a Justiça Federal


Publicado em: 27/08/19 às 15:01 por Gustavo Lopes | BR104 | Atualizado em 27/08/2019 às 16:34



Acusado de escravizar idoso em União participa de audiência de custódia — © BR104

União dos Palmares — Foi realizada na manhã desta terça-feira (27), no Fórum de Justiça de União dos Palmares, no bairro Cohab Nova, a audiência de custódia de Ademílson da Silva, de 53 anos, acusado de manter um ancião de 73 anos em regime de trabalho análogo à escravidão.

De acordo com a promotora Jheise Gama, o Ministério Público Estadual (MPE/AL) requereu a declinação da competência para julgar o caso, por entender que de acordo com a Jurisprudência do STF, o caso deve ser analisado pela Justiça Federal, para que assim sejam adotadas as medidas cabíveis.

Entretanto, para a defesa, a competência seria da Justiça comum. “A promotora não concordou com nosso pedido de revogação. O MP tem a opinião dele, mas nós temos a nossa. Se o Juiz concordar com a promotora, esse processo será encaminhado para a Vara Federal, para que seja decidido se mantém ou não a prisão preventiva”, explicou.

A audiência foi acompanhada por familiares e amigos de Ademílson que disseram estar angustiado com a situação. “É angustiante você ver uma pessoa que nunca pregou o mal, está por trás de uma grade. Meu irmão só faz o bem. Colocou esse senhor lá no intuito de ajudar, e hoje está por trás das grades”, disse o irmão do acusado.

Emocionada, Cleide contou que não aguenta mais ver o esposo preso, e voltou a afirmar que o homem é inocente. Disse ainda que Ademílson sempre foi uma pessoa boa, trabalha e vive para a igreja e não ver motivos para que ele continue detido diante de tudo que já foi exposto.

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“Meu esposo é uma pessoa inocente. Ele não fez nada disso que as pessoas estão acusando ele, porque dezessete anos que sou casada com ele, nunca maltratou um animal, imagine um inocente. Eu quero pedir à Justiça que ela veja realmente para não acusar um inocente. Não está sendo fácil”, disse.

Preso desde a última quinta-feira (22), Ademílson nega que tenha mantido o idoso como seu funcionário, e afirmou que a denúncia partiu de seus ‘inimigos’. O acusado atribuiu o nome de dois ex-associados da associação que preside, Pedro Viana e Francisco Alves Monteiro Filho, que segundo ele, tentam o prejudicar há um certo tempo.

Confira a reportagem na íntegra: