Tecnologia

Sistemas solares off-grid crescem no Nordeste e transformam comunidades isoladas

Estados como Ceará, Piauí, Bahia e Pernambuco têm registrado um avanço expressivo também nos sistemas off-grid

Casas no nordeste com painéis solares | Foto: BR104
Casas no nordeste com painéis solares | Foto: BR104

O uso de sistemas de energia solar off-grid — aqueles que funcionam de forma independente da rede elétrica — está crescendo rapidamente no Nordeste do Brasil e mudando a realidade de milhares de famílias. A tecnologia, que antes era vista como cara e restrita a grandes projetos, vem se popularizando graças à redução dos custos dos painéis solares e baterias, além do forte potencial solar da região.

Nos últimos anos, o Nordeste se consolidou como líder em geração solar no país, concentrando cerca de 52% da capacidade instalada de usinas fotovoltaicas centralizadas. Estados como Ceará, Piauí, Bahia e Pernambuco têm registrado um avanço expressivo também nos sistemas off-grid, usados principalmente em comunidades rurais e locais onde a energia elétrica convencional ainda não chega.

Por que o off-grid está crescendo?

A principal vantagem desse modelo é a autonomia energética. Com placas solares e baterias de armazenamento, famílias e pequenos produtores podem ter energia 24 horas por dia, sem depender da concessionária de eletricidade.

Outro fator é a economia a longo prazo: mesmo exigindo investimento inicial mais alto, os sistemas off-grid reduzem drasticamente a conta de luz e podem durar mais de 20 anos. Além disso, programas de financiamento e linhas de crédito específicas têm facilitado o acesso à tecnologia.

Em comunidades do semiárido nordestino, escolas, postos de saúde e residências já operam exclusivamente com energia solar. No Piauí, por exemplo, empresas estão utilizando sistemas off-grid para alimentar câmeras de monitoramento de queimadas em áreas de preservação, ajudando a reduzir incêndios e emissões de CO₂.

Na Bahia, pequenos produtores rurais têm investido no modelo para bombear água, irrigar plantações e armazenar alimentos. “Antes, tínhamos dificuldade de manter equipamentos funcionando por falta de energia. Agora, tudo mudou”, afirma João Santos, agricultor de Juazeiro.

Perspectivas para os próximos anos

Especialistas projetam que o mercado brasileiro de sistemas off-grid pode movimentar mais de R$ 20 bilhões até 2031, com crescimento médio de 11% ao ano. O Nordeste deve seguir na liderança, já que a região tem uma das maiores taxas de radiação solar do planeta e vastas áreas ainda não atendidas pela rede elétrica.

Além de atender comunidades isoladas, a tecnologia também vem sendo usada em soluções urbanas e corporativas, como backup de energia em empresas e condomínios.

A transição energética já começou, e os sistemas off-grid se mostram cada vez mais estratégicos para a independência energética do Brasil.