BRASIL — Uma nova geração de biocombustíveis está a caminho — e o protagonista pode não ser mais a cana-de-açúcar. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou o sorgo híbrido LAS3004G, uma cultivar com potencial surpreendente para a produção de etanol, que já começa a despertar a atenção do setor energético e da indústria de combustíveis renováveis no Brasil.
Desenvolvido em parceria com a Latina Seeds, o LAS3004G é um sorgo granífero de alta produtividade, capaz de superar 6 toneladas por hectare e adaptado a regiões de clima seco, como o Centro-Oeste e o Nordeste. Além da robustez no campo, a planta se destaca pela resistência a doenças como antracnose e cercosporiose, o que reduz custos de produção e torna o cultivo mais sustentável.
A Embrapa afirma que essa variedade de sorgo pode ser uma alternativa real à cana-de-açúcar na entressafra, ajudando a suprir a demanda por etanol combustível com mais estabilidade.
“O LAS3004G é um divisor de águas. Ele nos permite diversificar a matriz energética com uma planta resistente, produtiva e alinhada às exigências de um Brasil mais sustentável”, destacou a equipe da Embrapa Milho e Sorgo.
Além do sorgo: Capim-elefante e o etanol do futuro
Outro projeto promissor em curso na Embrapa é o BRS Capiaçu, uma variedade de capim-elefante com alta biomassa, inicialmente desenvolvida para a pecuária, mas agora estudada como base para etanol de segunda geração, biogás e biometano. O potencial energético por hectare impressiona e coloca o Brasil em posição de vanguarda mundial.
Somado a isso, pesquisadores avançam no desenvolvimento do etanol lignocelulósico, feito a partir da celulose do bagaço e palha da cana-de-açúcar. Esse processo permite ampliar a produção sem expandir a área plantada — fator-chave para garantir crescimento sustentável.
O que esperar da próxima década?
O futuro do etanol no Brasil poderá passar por uma revolução silenciosa: menos dependência de uma única planta, maior estabilidade na oferta e redução dos impactos ambientais. Especialistas acreditam que, se o investimento em pesquisas continuar no ritmo atual, em menos de 10 anos o Brasil poderá produzir mais etanol com menos terra, menos água e mais tecnologia.
