Saúde

Sou médico e alerto: “Se a voz mudou sem febre ou tosse, pode ser a variante da covid”

XFG já foi identificada em 38 países, incluindo o Brasil. Variante provoca rouquidão e causa sintomas respiratórios típicos da fase inicial da pandemia.

Atualizado 7 meses atrás
Pessoa com sintomas da nova variante da Covid-19 - @Reprodução
Pessoa com sintomas da nova variante da Covid-19 - @Reprodução

Autoridades de saúde estão em alerta com o avanço da nova variante da covid-19, batizada de XFG, que já foi identificada em pelo menos 38 países, incluindo o Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cepa está sob monitoramento devido à sua rápida disseminação e ao potencial de evasão imunológica.

O principal sintoma da nova variante da covid é a rouquidão persistente, de acordo com o Centro Médico da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos. A condição surge como reflexo de uma irritação e secura na garganta, que pode modificar a voz do paciente. Esse sintoma tem sido observado de forma recorrente em infectados com a XFG.

Além da rouquidão, a variante também pode provocar outros sinais clínicos semelhantes aos das primeiras ondas da pandemia:

  • Perda de olfato e paladar;

  • Dificuldade para respirar;

  • Perda de apetite.

Apesar disso, a OMS afirmou em documento oficial que o risco adicional global para a saúde pública é considerado baixo. A entidade destaca que as vacinas em uso continuam eficazes contra formas sintomáticas e graves da doença, mesmo diante das novas mutações genéticas encontradas na XFG.

Casos no Brasil e avaliação de risco

Até o momento, o Brasil já registrou pelo menos oito casos confirmados da variante XFG, sendo seis no Ceará e dois em São Paulo. Nenhuma morte associada à nova linhagem foi registrada no país até agora.

A variante é classificada pela OMS como “variante sob monitoramento”, por apresentar mutações com potencial de disseminação maior do que outras cepas, embora não haja evidências de maior gravidade clínica.

Estudos preliminares indicam que a XFG possui alterações na proteína spike, o que pode facilitar a entrada do vírus nas células humanas e dificultar a resposta imune do organismo. Segundo o virologista Lawrence Young, da Universidade de Warwick (Reino Unido), essas mutações tornam a variante “mais infecciosa e potencialmente mais resistente à imunidade adquirida”.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que mantém o monitoramento genômico contínuo da covid-19 e reforçou que a vacinação é a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes. O imunizante segue disponível no calendário nacional para grupos prioritários, como idosos, gestantes e crianças.

Ainda que os sintomas mais comuns da covid atualmente se assemelhem a um resfriado — como dor de garganta, coriza e dores no corpo — a presença de rouquidão tem chamado a atenção como um marcador clínico da XFG, ajudando no rastreio de novos casos.

A recomendação das autoridades de saúde permanece a mesma: em caso de sintomas, o ideal é evitar contato com outras pessoas, usar máscara em ambientes fechados e procurar orientação médica, especialmente se houver histórico de comorbidades.