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Polícia investiga caso de mulher mantida trancada por 9 meses em São José da Laje

Ela afirmou que permanecia no local sob medo constante e ameaças, o que motivou o encaminhamento da ocorrência para investigação formal.

Atualizado 2 meses atrás
Agentes da Polícia Civil e do GAES participam de operação policial em frente a unidade prisional durante ação integrada de segurança
Equipes da Polícia Civil e do Grupo de Ações Especiais (GAES) durante operação integrada (Foto: Reprodução)

SÃO JOSÉ DA LAJE — A Polícia Civil apura um caso grave envolvendo a suspeita de cárcere privado e ameaças contra uma mulher no município de São José da Laje, na Zona da Mata de Alagoas. A ocorrência veio à tona após informações de que a vítima estaria sendo mantida trancada dentro da própria residência por um longo período.

Segundo a apuração, a Polícia Militar foi acionada após um alerta feito às autoridades sobre a possível situação de violência doméstica. Ao se deslocarem até o endereço indicado, os agentes encontraram a mulher dentro da residência, acompanhada de três crianças. O imóvel estava fechado, e a situação levantou suspeitas imediatas sobre restrição de liberdade.

Durante a ação, a vítima conseguiu se comunicar com os policiais por uma janela e relatou que estaria vivendo naquela condição havia cerca de nove meses. Ela afirmou que permanecia no local sob medo constante e ameaças, o que motivou o encaminhamento da ocorrência para investigação formal.

Diante do relato inicial, o caso passou a ser tratado como possível cárcere privado no contexto de violência doméstica. A situação resultou na condução dos envolvidos para os procedimentos cabíveis e no início das diligências para esclarecer os fatos. O marido foi preso preventivamente.

No entanto, o caso ganhou novos contornos ao longo da apuração. Em momento posterior, a mulher compareceu perante a Justiça e apresentou uma versão diferente daquela relatada inicialmente à polícia.

Segundo esse novo depoimento, a vítima negou ter sido mantida em cárcere privado. Ela afirmou que a residência ficava trancada por questões de segurança, já que existe um bar em frente ao imóvel e o local teria sido arrombado anteriormente. De acordo com essa versão, ela nunca esteve impedida de sair contra a própria vontade.

A mulher também relatou que, nas ocasiões em que o companheiro saía e ela permanecia sem as chaves, isso ocorria com o seu consentimento. Ela negou ter sido submetida a ameaças constantes ou a qualquer tipo de privação forçada de liberdade.

Com a mudança do relato, as autoridades passaram a considerar que, até o momento, não há outras testemunhas diretas que confirmem a versão inicial. A denúncia que motivou a ida da polícia ao local teria sido feita de forma anônima, o que dificulta a confirmação dos fatos nesta fase da investigação.

Apesar disso, o histórico do investigado segue sendo analisado. Ele já teria respondido anteriormente por outros casos no contexto da Lei Maria da Penha, inclusive envolvendo outras vítimas, o que mantém o caso sob atenção das autoridades.

Diante do conjunto de informações reunidas até agora, foi concedida liberdade provisória ao investigado. A avaliação foi de que a adoção de prisão preventiva seria desproporcional diante do cenário probatório considerado frágil no momento.

Mesmo com a soltura, a investigação não foi encerrada. A polícia pode realizar novas diligências para aprofundar o caso, incluindo a oitiva de vizinhos, familiares ou outras pessoas que possam ter conhecimento da rotina da residência.

O caso segue em apuração e pode ter novos desdobramentos. O BR104 acompanha a investigação.

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