O recém-eleito Papa Leão XIV declarou neste sábado (10) que pretende dar continuidade à visão e às reformas iniciadas por seu antecessor, o Papa Francisco, durante seu primeiro encontro com todos os cardeais no Vaticano.
Segundo o novo pontífice, Francisco deixou “um legado precioso” que merece ser preservado e aprofundado. “Vamos assumir este legado precioso e continuar a jornada”, afirmou.
Leão XIV destacou o foco de Francisco em promover “um diálogo corajoso e confiante com o mundo contemporâneo em seus diversos componentes e realidades”.
O papa também fez uma petição aos altos clérigos para renovarem o compromisso com as reformas instituídas pelo Concílio Vaticano II, na década de 1960, um marco na modernização da Igreja Católica. Entre as medidas citadas estão a celebração da missa em línguas locais, em substituição ao latim, e o incentivo ao diálogo inter-religioso.
Segundo a agência Reuters, o papa alertou ainda para os desafios éticos impostos pelo avanço da inteligência artificial. Para ele, a Igreja tem a responsabilidade de assumir uma liderança moral diante dos riscos representados pelas novas tecnologias, que, segundo suas palavras, “podem comprometer a dignidade humana, aprofundar desigualdades sociais e desestabilizar o mundo do trabalho”.
Em sua primeira missa como pontífice, celebrada na sexta-feira (9) durante uma homilia solene dirigida aos cardeais, Leão XIV falou sobre a missão espiritual que assume: “Deus me confiou este tesouro para que, com a sua ajuda, eu possa ser seu administrador fiel em benefício de todo o Corpo Místico da Igreja”.
Ele também reafirmou os pilares de sua condução à frente da Igreja: união, santidade e evangelização.
“Ela [a Igreja] deve ser cada vez mais plenamente uma cidade sobre o monte, uma arca de salvação navegando pelas águas da história e um farol que ilumina as noites deste mundo”, disse.
Primeiro papa norte-americano
Leão XIV sucede o Papa Francisco, falecido em 21 de abril, e foi eleito na última quinta-feira (8), após três votações realizadas no segundo dia do conclave. Sua escolha foi anunciada com a tradicional fumaça branca na Capela Sistina e a proclamação “Habemus Papam”, feita pelo cardeal protodiácono Dominique Mamberti.
Natural de Chicago, nos Estados Unidos, Leão XIV – anteriormente cardeal Robert Francis Prevost – tem 69 anos e se torna o primeiro papa norte-americano da história. Agostiniano, é fluente em cinco idiomas (espanhol, italiano, inglês, português e francês) e é conhecido por seu perfil pastoral, moderado e comprometido com as causas sociais. Também possui cidadania peruana, adquirida após anos de missão no país.
Em 2015, foi nomeado bispo de Chiclayo, no norte do Peru, onde atuou junto a comunidades carentes. Segundo o jornal La República, de Lima, sua atuação humanitária foi decisiva para sua ascensão e reconhecimento dentro e fora da Igreja.
Durante a homilia, Leão XIV demonstrou preocupação com o que chamou de “declínio da fé” em um mundo marcado pelo culto ao poder, ao dinheiro e ao prazer.
“Ainda hoje não faltam contextos em que a fé cristã é considerada uma coisa absurda, para pessoas fracas e pouco inteligentes”, afirmou. “Em vez da fé, preferem-se outras seguranças, como a tecnologia, o sucesso, o poder e o prazer.”
Ele também alertou contra a tentação de reduzir Jesus Cristo a uma figura meramente simbólica.
“Jesus, embora apreciado como homem, é muitas vezes visto apenas como um líder carismático ou super-homem, até mesmo por muitos batizados, que acabam vivendo num ateísmo prático”, disse.
Segundo o papa, a Igreja deve ser reconhecida não pela grandiosidade de seus templos, mas pela santidade de seus membros.
O próximo compromisso público de Leão XIV está marcado para este domingo (11), às 7h (horário de Brasília), quando recitará a oração do Regina Coeli da Sacada Central da Basílica de São Pedro.
