UNIÃO DOS PALMARES (AL) — A divulgação da primeira rodada de pesquisas para 2026 expôs uma polarização geográfica clara em Alagoas. De um lado, JHC (PL) domina a Região Metropolitana com a vitrine da Prefeitura de Maceió. Do outro, Renan Filho (MDB) mantém hegemonia no Sertão e Agreste, impulsionado pela máquina do Estado e obras federais.
Essa divisão de forças cria um empate técnico político: a vantagem de um na capital tende a ser anulada pela vantagem do outro no interior profundo. É nesse contexto que a Zona da Mata deixa de ser coadjuvante e assume o papel de protagonista.
Com peso eleitoral comparável ao Agreste e uma concentração expressiva de municípios médios, a região do Vale do Mundaú detém a chave do Palácio República dos Palmares.
Analistas apontam que a Zona da Mata funciona hoje como um “estado pêndulo” (ou swing state, na terminologia americana) — um território onde a disputa está aberta e que historicamente define o vencedor.
Diferente do Sertão, onde a fidelidade partidária ao grupo dos Calheiros é consolidada há décadas, ou de Maceió, onde o voto de opinião e das redes sociais prevalece, a Zona da Mata mescla os dois perfis. O eleitor de cidades como União dos Palmares, Murici e São José da Laje decide com base em uma combinação de estrutura política (apoio do prefeito) e percepção de melhoria de vida (emprego e obras).
Para vencer em 2026, a conta é simples e impiedosa:
- Renan Filho precisa ampliar a vantagem na Zona da Mata para compensar a rejeição que enfrenta na capital. Se ele vencer com folga aqui (fazendo o “paredão” com seus 14 prefeitos aliados), neutraliza os votos de JHC em Maceió.
- JHC precisa, obrigatoriamente, “invadir” a Zona da Mata. Se ele perder feio na região, nem uma votação recorde em Maceió será suficiente para garantir a vitória no primeiro turno.
A batalha do Vale do Mundaú
É por isso que a presença de ministros e deputados federais se intensificou na região nos últimos meses. Obras de pavimentação, hospitais regionais e festas tradicionais viraram palanques antecipados.
Quem conquistar a mente e o voto do morador da Zona da Mata terá, matematicamente, a governabilidade do estado. A região não apenas assistirá à eleição de 2026; ela decidirá o resultado.
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