MACEIÓ (AL) — O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) executou, somente no mês de novembro de 2025, o pagamento de R$ 2.321.938,02 destinado à aquisição de mobiliário. Os dados constam no relatório de “Pagamentos Efetuados” disponível no Portal da Transparência da corte de contas.
Os dados, levantados pelo núcleo de jornalismo de dados do BR104, constam nos relatórios de despesas efetuadas do mês de novembro de 2025 e chamam a atenção pelo alto volume de recursos concentrados em um curto período.
O montante foi dividido entre duas empresas distintas do ramo de móveis e decoração que possuem contratos ativos com o órgão fiscalizador.
A maior fatia do recurso foi destinada à empresa Decormóveis Comércio e Serviços de Mobiliário Ltda (CNPJ 41.566.775/0001-06). Para este fornecedor, o Tribunal emitiu duas ordens de pagamento que, somadas, chegam a R$ 1.564.718,67. O pagamento principal foi de R$ 1.532.741,00, complementado por um repasse menor de R$ 31.977,67.
A segunda empresa beneficiada no mesmo período foi a Cimóveis Comércio de Móveis EIRELI (CNPJ 39.659.767/0001-62). O relatório oficial aponta um pagamento único de R$ 757.219,35 sob a rubrica genérica de “aquisição de móveis”.
A apuração do BR104 cruzou os pagamentos com o Diário Oficial Eletrônico da corte de contas. Foi identificado que a relação entre o TCE e a fornecedora é baseada na Ata de Registro de Preços (ARP) nº 04/2024.
Esse mecanismo jurídico permite ao órgão público aderir a preços já registrados em licitações anteriores. O modelo serve para agilizar a compra de itens padronizados, como estações de trabalho, cadeiras ergonômicas e armários corporativos, sem a necessidade de novos certames para cada aquisição.
Apesar da publicidade dos valores globais, a consulta pública simplificada no site do TCE não detalha a quantidade ou a especificação dos itens entregues.
Não há a discriminação pública de quantas unidades foram adquiridas com os R$ 2,3 milhões, nem a distribuição setorizada dos móveis dentro do prédio sede ou anexos do Tribunal.
Não é possível saber, por exemplo, o custo unitário de cada cadeira ou mesa adquirida, nem para quais gabinetes ou setores os móveis foram destinados. A ausência desse detalhamento impede que a sociedade fiscalize se os preços pagos correspondem à realidade de mercado ou se tratam de itens de luxo.
O BR104 deixa o espaço aberto. O Tribunal de Contas de Alagoas (TCE-AL) pode enviar nota de esclarecimento ou o detalhamento das compras para: contato@br104.com.br.
