Quando o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) optou por não registrar voto na PEC da Blindagem, abriu-se um espaço de vulnerabilidade política que pode custar caro em sua tentativa de reeleição.
Em um estado como Alagoas, onde a política é acompanhada com atenção e onde o eleitorado tende a cobrar coerência, o não posicionamento soa mais alto do que qualquer justificativa técnica.
O custo do “não voto”
A PEC da Blindagem foi apresentada como um tema de grande repercussão nacional. Ao propor restrições para prisões e processos contra parlamentares, ela dividiu opiniões no Congresso e na sociedade. Deputados alinhados ao discurso anticorrupção se colocaram contra; já os mais corporativistas se alinharam ao “sim”.
Em meio a esse cenário, Gaspar, que construiu sua imagem política como ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública, tinha diante de si uma oportunidade clara de reforçar sua identidade de defensor da lei e da ordem.
Ao não votar, deixou o campo aberto para críticas de adversários, que poderão dizer em campanha: “quando o Brasil quis saber se os políticos deveriam ter mais blindagem, Alfredo Gaspar se calou”.
A ausência de voto será usada como munição em debates locais. Gaspar tem como base eleitoral setores que valorizam firmeza contra a criminalidade e transparência nas instituições. Ao não se posicionar em um tema que toca diretamente a responsabilização de políticos, transmite a ideia de hesitação, justamente o oposto do que seus apoiadores esperam.
Além disso, em um cenário de disputa intensa por espaço em Alagoas, o eleitorado tende a valorizar quem assume posições claras, ainda que impopulares. O “caminho do meio”, nesse caso, pode se transformar em sinal de fraqueza política.
Outros deputados da bancada alagoana registraram voto, seja a favor, seja contra. Isso reforça a sensação de que Gaspar “ficou para trás”. Quando o eleitor comparar, notará que todos tiveram coragem de se expor, menos ele. Essa comparação direta é perigosa em um estado onde a política é fortemente personalizada e baseada em capital simbólico.
