MACEIÓ – Mais de 40 mil downloads. Milhares de atendimentos. Gente resolvendo consulta sem fila, sem ficha e sem humilhação de madrugada em UPA. O Saúde Até Você não virou promessa — virou número. E número, diferente de discurso, não aceita maquiagem.
Aí começa o incômodo.
O programa do governo de Paulo Dantas fez o que a política deveria fazer: resolveu problema real. E quando alguém resolve problema real, quem vive de narrativa entra em pânico.
O prefeito de Maceió, JHC, sentiu. Saúde sempre foi o terreno instável da gestão municipal: PSF que nunca chegou na população maceioense, UPAs cronicamente lotadas e um Hospital da Cidade que já fechou cardiologia e atende quem vem indicado pela Prefeitura.
Hoje faz muito pouco, e é mais instrumento de propaganda do que ajuda para o maceioense. A reclamação é antiga. O resultado, idem.
De repente, o Estado entra com teleconsulta, receita digital, triagem organizada e desafoga o sistema presencial. Sem discurso inflamado. Sem live performática. Só entrega.
E aí o silêncio virou irritação.
Deputados da oposição começaram a fazer o papel de sempre: relativizar o óbvio. Um deles chegou a admitir que “telemedicina pode ajudar” — mas mesmo assim resolveu atacar. É aquele tipo de crítica que reconhece a eficácia, mas torce contra porque o autor não é aliado. Política como clubinho de condomínio.
Nos bastidores, portais alinhados à prefeitura foram estimulados a problematizar o “atendimento remoto”. Curioso. Até ontem o drama era a falta de acesso. Agora que o acesso cabe na palma da mão, virou ameaça existencial. A tecnologia só presta quando é selfie.
O mais irônico? Corre nos corredores que houve ligação para a empresa responsável pela plataforma estadual. Interesse técnico repentino. Se o modelo é tão frágil assim, por que a curiosidade? Crítica pública, sondagem privada. Clássico.
Tudo isso enquanto a gestão municipal tenta sobreviver ao desgaste dos R$ 117 milhões da previdência aplicados no Banco Master. O episódio ainda respira no noticiário e nas conversas de bastidor. Em ambiente assim, qualquer sucesso alheio vira provocação.
Mas há um detalhe inconveniente para os críticos: o cidadão não quer saber de guerra política. Quer consulta resolvida. Quer receita no celular. Quer evitar fila. Se é presencial ou digital, pouco importa. Importa funcionar.
E funcionou.
No placar da eficiência pública, sem firula e sem marketing desesperado:
1 x 0.
E o jogo está só começando.




