Política

Prisão de Bolsonaro acende guerra de narrativas em Maceió, capital mais bolsonarista do Nordeste

Aliados locais falam em "perseguição" e risco de morte; opositores e influenciadores celebram decisão do STF nas redes sociais.

Montagem com o deputado Ronaldo Medeiros e o vereador Leonardo Dias; políticos de Maceió divergem sobre a prisão de Bolsonaro
O deputado Ronaldo Medeiros (PT) e o vereador Leonardo Dias (PL) manifestaram posições opostas sobre a decisão do STF. (Fotos: Reprodução/Redes Sociais)

MACEIÓ (AL) — Desde a manhã de sábado (22), quando a Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, a capital alagoana — considerada a mais bolsonarista do Nordeste nas últimas eleições — passou a travar um embate intenso nas redes sociais, com forte carga política e pouca mobilização de rua até agora.

Entre vereadores, deputados e influenciadores ligados à direita, o tom predominante é de indignação.

A Reação da Direita

O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) publicou vídeos classificando a decisão como perseguição política. Em tom grave, afirmou ter recebido relatos sobre a saúde do ex-presidente e declarou: “Não tenho dúvida de que querem matá-lo”, associando a prisão a um risco à integridade física de Bolsonaro.

Na Câmara de Maceió, o vereador Leonardo Dias (PL) seguiu a mesma linha, chamando a prisão de “vergonhosa”. Em vídeo, ele defendeu o legado do ex-presidente: — Bolsonaro levantou a bandeira do Brasil quando muitos já tinham desistido dela. A prisão hoje é mais uma tentativa de calar o homem que enfrentou o sistema. Mas eu garanto: eles jamais vão conseguir calar o amor pela pátria que ele despertou. Somos todos Bolsonaro — discursou.

Outros aliados, como o vereador Caio Bebeto (PL) e parlamentares da bancada federal, divulgaram notas de solidariedade, pedindo uma reação do Congresso Nacional contra o que chamam de “abuso de autoridade”.

A Reação da Esquerda

No campo oposto, políticos ligados ao governo Lula usam o episódio para reforçar que as instituições funcionam. O deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) afirmou que Bolsonaro “sempre desrespeitou as leis” e defendeu a prisão como resposta institucional, com a mensagem de que “a lei vale do pobre ao rico”.

Juristas locais ouvidos pela imprensa, como o advogado Cauê Castro, têm reforçado a tese técnica de que não há perseguição, mas cumprimento de decisões fundamentadas em inquéritos do STF.

Batalha nas Redes

A polarização explodiu nos perfis de politicos e influenciadores.

  • O deputado federal Paulão publicou “URGENTE: Bolsonaro preso”, recebendo comentários como “Grande dia!” de seguidores.
  • O presidente do PT em União dos Palmares, Sergio Rogerio escreveu “Comemorando. Não disse nada, mas houve sinais”, seguido de aplausos virtuais.

Já nos perfis bolsonaristas, seguidores dividem-se entre orações (“Senhor, velai por ele”) e ataques ao Judiciário (“Ditadura da toga”).

Apesar do barulho digital, Maceió ainda não registrou grandes atos de rua. A mobilização segue concentrada em lives e notas oficiais, reforçando a condição da cidade como base fiel ao ex-presidente, mas, neste primeiro momento, com uma reação mais digital do que presencial.

Entenda a Prisão

  • O que aconteceu: Prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF).
  • O Motivo: Risco de descumprimento de medidas judiciais e suposta tentativa de violar a tornozeleira eletrônica (segundo a PF).
  • Local: Bolsonaro está sob custódia na sede da Polícia Federal, em Brasília.
  • Defesa: Advogados tentam revogação da prisão ou conversão em domiciliar.

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