Política

PL 1904/24: Entenda o projeto que equipara aborto a homicídio

O projeto visa equiparar o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio.

Arthur Lira - @Reprodução
Arthur Lira - @Reprodução

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (12), o regime de urgência para o Projeto de Lei 1904/24, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e outros 32 parlamentares. O projeto visa equiparar o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio.

Aprovação de urgência

Por volta das 18h20, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mencionou o número do projeto, mas não anunciou no microfone que a votação estava aberta. O texto, no entanto, foi aprovado de forma simbólica, conforme registrado no sistema da Câmara. Com a urgência aprovada, o projeto pode ser votado diretamente pelo Plenário, sem a necessidade de passar por comissões temáticas.

O que muda com o PL 1904/24?

O projeto propõe mudanças na legislação atual:

  • Equiparação ao Homicídio: Aborto após 22 semanas será considerado homicídio simples.
  • Pena Aumentada: Pena máxima aumenta de 10 para 20 anos de prisão, equiparando-se à pena para assassinato.
  • Prazo de 22 Semanas: Fixa 22 semanas como limite para o aborto legal.

Situação Atual da Lei

Atualmente, a legislação brasileira permite o aborto em três situações específicas:

  • Estupro: Quando a gravidez é decorrente de estupro.
  • Risco de Vida: Se a gravidez representa risco à vida da mulher.
  • Anencefalia: Quando o feto é anencéfalo, condição caracterizada pela ausência do encéfalo e da calota craniana.

Controvérsias e opiniões

Defensores do Projeto: Defendem que a partir de 22 semanas o feto possui viabilidade fora do útero, configurando homicídio. “A partir de 22 semanas é assassinato de criança, pois o feto está em plenas condições de viver fora do útero da mãe”, afirmou Eli Borges (PL-TO), coordenador da Frente Parlamentar Evangélica.

Críticos do Projeto: Alegam que a mudança penaliza severamente vítimas de violência sexual e crianças. “Mais de 60% das vítimas de violência sexual têm menos de 14 anos. Criança não é mãe, e estuprador não é pai”, declarou Sâmia Bomfim (Psol-SP). Além disso, afirmam que o projeto ignora a realidade social das vítimas, muitas das quais são forçadas a seguir com a gravidez devido ao medo de denunciar os agressores, que frequentemente são membros da própria família.

Impacto na Saúde e Direitos Reprodutivos

Especialistas em saúde pública e direitos reprodutivos apontam que a proposta pode aumentar as desigualdades no acesso ao aborto legal, especialmente afetando crianças e adolescentes. Segundo o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), a proposta é vista como um retrocesso nos direitos sexuais e reprodutivos garantidos desde 1940.

Próximos Passos

Com a urgência aprovada, o PL 1904/24 será analisado diretamente pelo Plenário da Câmara nos próximos dias. A votação, que poderá ocorrer em breve, decidirá se o projeto será incorporado ao Código Penal Brasileiro.