Política

Após perder apoio de 7 vereadores, Marcos Silva promove exoneração em massa na Prefeitura de Messias

Rompimento com vereadores faz Marcos Silva exonerar secretários em massa em Messias

Prefeito Marcos Silva - @Reprodução
Prefeito Marcos Silva - @Reprodução

O município de Messias, na Zona da Mata de Alagoas, atravessa uma crise institucional após o prefeito Marcos Silva romper com parte de sua base na Câmara Municipal. O estopim do conflito foi a realização de uma eleição antecipada da nova mesa diretora da Casa Legislativa, cuja legalidade é contestada por aliados do Executivo.

A nova composição da Câmara foi eleita com apoio do deputado estadual Antônio Albuquerque (Republicanos), ex-aliado e até então principal articulador político da gestão de Marcos Silva. A presidência foi mantida com o vereador Geraldo dos Santos, que passou a contar com maioria entre os parlamentares, incluindo sete vereadores que foram eleitos com o apoio do prefeito.

Nos bastidores, o movimento é tratado por aliados do Executivo como uma manobra articulada para enfraquecer politicamente Marcos Silva, com possibilidade de, futuramente, resultar na proposição de um projeto de cassação do seu mandato. A equipe do prefeito se refere ao episódio como um “golpe político institucional”.

Secretários exonerados após rompimento

Como reação, o prefeito determinou a exoneração de todos os ocupantes de cargos comissionados ligados aos vereadores que aderiram à nova mesa diretora. A lista inclui:

  • Del, secretário de Infraestrutura, pai do vereador Del Filho;
  • Lazer Peixoto, secretário de Cultura, marido da vereadora Thaysinha Peixoto;
  • Berg Júnior, secretário de Esportes, filho do presidente da Câmara, Geraldo dos Santos;
  • Mariana Andrade, controladora-geral do município, esposa do vereador Marcinho Calheiros;
  • Outras indicações políticas em diferentes secretarias, ligadas aos parlamentares dissidentes.

Algumas dessas exonerações ainda não foram publicadas oficialmente no Diário Oficial, mas foram confirmadas por fontes da própria administração municipal.

Vereadores rompem com o Executivo

Os vereadores que romperam com o prefeito e apoiaram a reeleição de Geraldo dos Santos são:

  • Marcinho Calheiros
  • Thaysinha Peixoto
  • Del Filho
  • Djalma Elias
  • Eliane Buarque
  • Geraldo dos Santos

Segundo informações divulgadas pela própria gestão municipal, circulam denúncias de que os parlamentares teriam recebido mais de R$ 100 mil em espécie cada, como parte de uma suposta negociação para apoio à nova mesa diretora. Até o momento, não há confirmação oficial sobre as denúncias, e os citados não se pronunciaram publicamente.

Disputa por palanques em 2026

A tensão entre Marcos Silva e Antônio Albuquerque tem raízes em divergências estratégicas sobre as eleições estaduais de 2026. O deputado estadual articula apoio ao prefeito de Maceió, JHC (PL), como candidato ao governo de Alagoas, e ao deputado Davi Davino Filho (PP) para o Senado. Já o prefeito de Messias demonstra inclinação a apoiar o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), para o governo estadual, e a reeleição de Renan Calheiros (MDB) ao Senado.

Esse alinhamento de Marcos Silva ao MDB e à base federal tem gerado desconforto no grupo político de Antônio Albuquerque, que era considerado o fiador da candidatura do atual prefeito em 2020 e 2024. A ruptura entre ambos resultou também em disputas por nomeações e controle de pastas dentro da administração municipal.

Lealdade de parte da base

Apesar do racha, quatro vereadores mantêm apoio à gestão de Marcos Silva:

  • Biel Calheiros (MDB)
  • Everaldo Eusébio (MDB)
  • Felipe Ferreira (Solidariedade)
  • Barra Nova (Solidariedade)

Esses parlamentares protocolaram requerimento para impugnar a eleição da nova mesa diretora, alegando irregularidade no processo e antecipação fora dos prazos regimentais. Após o protocolo, eles se retiraram da sessão como forma de protesto.

Próximos passos

A expectativa dentro da Prefeitura é de que a nova maioria na Câmara possa propor medidas que limitem a atuação do Executivo, incluindo a possibilidade de abertura de processo de cassação contra o prefeito.

O prefeito e o deputado estadual ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os últimos desdobramentos. Enquanto isso, a situação política em Messias segue em clima de incerteza e forte polarização local.