Política

Mandato de Júnior Menezes pode ser prorrogado até 2030 com nova PEC

Prefeito de União dos Palmares pode ganhar dois anos extras de mandato caso unificação das eleições seja aprovada no Senado.

Júnior Menezes - Foto: Alysson Santos/BR104
Júnior Menezes - Foto: Alysson Santos/BR104

A proposta de unificar todas as eleições brasileiras em um único pleito, prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19/2019, reacendeu o debate sobre os prazos dos mandatos de prefeitos e vereadores eleitos em 2024. Se aprovada, a medida poderá estender os mandatos municipais de quatro para seis anos, com efeitos diretos em cidades como União dos Palmares, onde o recém-eleito prefeito Júnior Menezes veria seu mandato ser prorrogado até 2030.

O texto da PEC, que tramita no Senado Federal e deve entrar em pauta a partir de abril de 2025, propõe a unificação das eleições municipais, estaduais e federais, a partir de 2028. A justificativa principal é a redução de custos e a simplificação do processo eleitoral no país, que atualmente realiza pleitos a cada dois anos.

“A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19/2019, que prevê a unificação das eleições no Brasil, pode estender o mandato dos prefeitos e vereadores eleitos em 2024 para seis anos, em vez dos atuais quatro”, explica o advogado Marcos Paulo Rodrigues de Oliveira. “Se aprovada, essa medida faria com que, a partir de 2028, todas as eleições no país ocorressem simultaneamente, englobando prefeitos, vereadores, governadores, presidente da República, senadores e deputados estaduais e federais”, complementa.

Caso o novo modelo entre em vigor, o prefeito de União dos Palmares, Júnior Menezes, que herdou a carreira política de seu padrinho e antecessor Areski Freitas, o Kil, poderia ter seu mandato estendido automaticamente até 2030, sem necessidade de nova eleição ou consulta popular — e sem direito à reeleição, conforme prevê a PEC.

O tema divide opiniões entre especialistas e políticos. Os defensores da proposta argumentam que a unificação representa uma economia importante para os cofres públicos, além de promover maior alinhamento entre os governos municipais, estaduais e federal. Também acreditam que a medida pode reduzir a polarização e o desgaste eleitoral constante.

Já os críticos apontam que a prorrogação de mandatos sem o aval direto das urnas pode ferir princípios democráticos. “A ampliação dos mandatos sem uma consulta direta à população pode ser controversa”, destaca Marcos Paulo, ao lembrar que a medida modifica regras fundamentais do jogo político sem passar por um referendo popular.

A mudança teria repercussões em mais de 5.500 municípios brasileiros, afetando diretamente o calendário eleitoral e os ciclos administrativos. Prefeitos eleitos em 2024, como Júnior Menezes, assumiram seus cargos com a previsão legal de mandato até 2028. Com a aprovação da PEC, no entanto, esses gestores passariam a comandar seus municípios por seis anos — um cenário que exigiria ajustes em planejamentos plurianuais e metas de governo.

Ainda não há consenso entre os senadores sobre a aprovação da PEC 19/2019, mas a expectativa de que ela avance no Congresso em 2025 tem mobilizado lideranças políticas e entidades de classe, como a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que apoia a unificação.