O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), decidiu não disputar o Senado nas eleições de 2026. A escolha, segundo aliados próximos, está diretamente relacionada a um compromisso político assumido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em encontros realizados ao longo deste ano.
De acordo com apuração do jornalista Edivaldo Júnior, durante as conversas em Brasília — quando JHC defendeu a indicação da ministra Marluce Caldas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) —, Lula fez apenas um pedido: que o prefeito apoiasse as candidaturas de Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP) ao Senado.
O presidente não teria pedido apoio eleitoral direto a si próprio. O gesto, contudo, foi interpretado como um ato de confiança política e abriu caminho para uma reaproximação entre o prefeito e duas das figuras mais influentes da política nacional.
Na última semana, JHC e Arthur Lira voltaram a dividir o mesmo palanque público após meses de distanciamento. Os dois participaram da inauguração das obras do Segundo Centro de Saúde e da Praça Maravilha, no bairro do Poço, em Maceió.
O reencontro, segundo aliados, foi um gesto político calculado, que sinaliza reconciliação e apoio futuro à candidatura de Lira ao Senado.
A relação entre ambos havia sido abalada em maio, quando o prefeito exonerou aliados de Lira que ocupavam cargos estratégicos na Secretaria de Educação da capital. A recente aproximação, porém, indica uma mudança de rota e reforça o cumprimento do acordo firmado com o presidente Lula.
Em relação a Renan Calheiros, JHC deve adotar postura mais reservada. O prefeito pretende evitar embates públicos, mas, segundo interlocutores, não descarta ajudar o senador discretamente, caso encontre formas de fazê-lo sem prejudicar sua popularidade local.
Mesmo tendo descartado a disputa pelo Senado, JHC ainda cogita concorrer ao governo de Alagoas em 2026. Essa possibilidade, contudo, é considerada de alto risco político, já que colocaria o prefeito em confronto direto com o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), herdeiro do grupo político mais poderoso do estado.
Nos bastidores, aliados próximos afirmam que o prefeito tem se animado com a ideia de disputar o governo, embalado pela popularidade de sua gestão em Maceió e pela expectativa de formar uma base de apoio ampla, unindo setores da direita e do centro moderado.
