O pastor Olímpio Filho, liderança ligada à Assembleia de Deus em Alagoas, publicou documentos oficiais nas redes sociais para contestar acusações direcionadas ao pastor José Orisvaldo Nunes e ao seu filho, Gunnar Nunes, em meio ao rompimento político com o prefeito de Maceió, JHC.
As postagens reagem à leitura de que Gunnar teria “traído” o grupo do prefeito ao se aproximar do Progressistas (PP) após suposta passagem pelo PL, além de enfrentar suspeitas públicas de favorecimento envolvendo a doação de um terreno para a igreja.
“Contra fatos não há argumentos”, escreveu Olímpio Filho ao divulgar a documentação, atribuindo a críticos o uso de “informações mentirosas” para atacar a igreja e seus líderes.
O que dizem os documentos sobre a filiação partidária
Em uma das imagens, o pastor apresenta certidão de filiação partidária emitida pela Justiça Eleitoral em nome de Gunnar Nunes. O documento lista, entre os registros recentes, a filiação ao PP em 27 de outubro de 2025 e filiações anteriores a outras siglas, mas não aponta vínculo com o PL.
A partir desse dado, Olímpio contesta diretamente a narrativa de que teria havido ruptura com o grupo político de JHC após compromisso formal com o PL.
No texto que acompanha a certidão, o pastor afirma que o documento “mostra que o Gunnar Nunes nunca se filiou ao PL” e questiona: “Como pode ter traição se nunca houve casamento?”. A publicação reforça o argumento de que a acusação de infidelidade política estaria baseada em versões, não em registros oficiais.
Além disso, Olímpio associa a defesa de Gunnar a um discurso religioso, citando trechos bíblicos sobre verdade e mentira para sustentar que, segundo ele, os ataques contra o grupo têm caráter calunioso e político.

Documento que nega filiação de Gunnar ao PL – @Reprodução
Doação do terreno
Outro ponto enfrentado nas postagens é a discussão sobre o terreno utilizado pela Assembleia de Deus em área de Maceió. Críticos relacionaram o espaço à atual gestão municipal e sugeriram que a igreja teria sido beneficiada recentemente, em contexto de articulação política.
Para rebater essa versão, Olímpio divulgou cópias de documentos que, segundo ele, comprovam que a autorização para doação da área é antiga. As imagens mostram:
- indicação legislativa apresentada na Câmara Municipal de Maceió na década de 1990, em favor da Assembleia de Deus em área do Tabuleiro do Martins;
- a Lei Municipal nº 1.392, de 26 de dezembro de 1994, que autoriza a doação de terreno público à igreja para construção de templo religioso, com cláusula prevendo reversão automática ao patrimônio municipal caso a finalidade não fosse cumprida em prazo determinado.
Nas publicações, o pastor sustenta que os arquivos provam que o processo de cessão do terreno não nasceu na gestão atual e não pode ser usado como evidência de “troca de favores” recente entre a prefeitura e a denominação.
Ao expor os documentos, Olímpio afirma estar “esclarecendo a verdade para a igreja e para a sociedade” e declara apoio público a Gunnar Nunes, reforçando a mensagem: “Estamos juntos nessa luta”.
As postagens, porém, não encerram a disputa política. Aliados de JHC e críticos do grupo religioso seguem apontando a existência de influência política da Assembleia de Deus na máquina pública e na montagem de projetos eleitorais em Maceió e em Alagoas. Já apoiadores de Gunnar e do pastor José Orisvaldo veem nas críticas uma reação ao reposicionamento político e partidário do grupo.
Até a última atualização deste texto, não haviam sido divulgadas novas manifestações públicas de JHC ou da Prefeitura de Maceió especificamente sobre os documentos apresentados por Olímpio Filho. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
