Política

Como a CPMI do INSS pavimenta o caminho de Alfredo Gaspar até o Senado

Relatoria projeta deputado nacionalmente, fortalece discurso de combate a fraudes e o coloca como nome competitivo na disputa pelo Senado em Alagoas.

Atualizado 3 meses atrás
Deputado Federal Alfredo Gaspar - @Reprodução
Deputado Federal Alfredo Gaspar - @Reprodução

A resposta para a pergunta “como a CPMI do INSS pavimenta o caminho de Alfredo Gaspar até o Senado” passa menos pela comissão em si e mais pelos efeitos políticos que ela produz. A relatoria deu ao deputado alagoano visibilidade, narrativa e base social para sustentar uma candidatura majoritária em 2026.

Na prática, Gaspar aparece todos os dias associado à ideia de enfrentamento a fraudes que atingem aposentados e pensionistas. Essa associação é estratégica em um estado com forte presença de beneficiários da Previdência e de programas sociais. Ao se colocar como alguém que “protege quem é mais vulnerável”, ele dialoga diretamente com um eleitorado numeroso.

Os depoimentos de vítimas ajudam a consolidar essa imagem. Quando aposentados relatam, diante das câmeras, que perderam parte do benefício por golpes em empréstimos não autorizados, o relator surge como a figura que ouve, cobra explicações e promete responsabilização. Esse enquadramento transforma dor individual em capital político, algo decisivo em campanhas majoritárias.

Autoridades também reforçam esse movimento. Ao reconhecerem publicamente que a atuação da relatoria acelerou investigações e aumentou o número de denúncias, elas validam o papel de Gaspar como articulador de respostas do Estado. Para o eleitor, a mensagem é simples: ele não apenas denuncia, mas faz a máquina andar.

Outro ponto central é a construção de uma narrativa coerente com a trajetória do deputado. Ex-promotor e ex-secretário de Segurança, Gaspar já vinha ligado ao combate ao crime organizado em Alagoas. A CPMI encaixa esse histórico em um palco maior, em Brasília, e amplia a sensação de continuidade: o mesmo perfil “linha dura” agora enfrenta fraudes que afetam milhões de brasileiros.

Esse conjunto de fatores tem impacto direto nas pesquisas. A exposição da relatoria aproximou o nome de Gaspar de figuras tradicionais da política alagoana na disputa pelo Senado. A CPMI, nesse contexto, funciona como trampolim: oferece tempo de tela, relevância nacional e um tema que desperta interesse em redes sociais e veículos de comunicação.

Além disso, a posição dele na comissão dialoga com o eleitorado conservador. Ao adotar um discurso firme contra corrupção e desperdício de recursos públicos, Gaspar se aproxima da base de direita e, ao mesmo tempo, tenta manter linguagem técnica para não afastar setores moderados. Essa combinação abre espaço para ocupar o campo anti-Renan e, em parte, anti-Lira.

Por outro lado, adversários veem na relatoria um uso político de uma estrutura parlamentar. A crítica, porém, também o ajuda a aparecer como personagem central do embate, reforçando a ideia de que está no centro do jogo. Quando o nome do deputado surge em análises como “problema” para projetos de outros líderes, o recado ao eleitor é de que ele se tornou um ator relevante.

Em resumo, a CPMI do INSS pavimenta o caminho de Alfredo Gaspar até o Senado porque oferece três elementos que raramente se combinam ao mesmo tempo: visibilidade constante, tema com forte apelo social e narrativa alinhada à sua biografia de combate ao crime. É essa soma, mais do que a comissão em si, que transforma a relatoria em degrau político rumo a 2026.