Ameaçada de ser expulsa do PDT, Tabata diz que votou na reforma por convicção

"Sim que digo à reforma não é sim ao governo e também não é um não a decisões partidárias", relatou na Câmara dos Deputados


Publicado em: 11/07/19 às 10:31 por Johny Lucena | Atualizado em 11/07/2019 às 10:33


Deputada Federal Tabata (PDT) — © Cleia Viana

Política — O PDT fechou contra a reforma da Previdência, mas oito deputados do partido declararam voto a favor. Cotada para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PDT, Tabata Amaral disse quem não tem preocupação com a eleição municipal de 2020.

A reforma que hoje votamos não pertence mais ao governo; ela sofreu diversas alterações feitas por esse mesmo Congresso. O sim que digo à reforma não é sim ao governo e também não é uma decisões partidárias”, disse a deputada.

A parlamentar ainda ressaltou que seu voto a favor da reforma da Previdência era consciente e ainda disse que não estava sendo “comprada” por dinheiro de emendas.

+ Rodrigo Cunha cria projeto que pretende obter recursos aos municípios alagoanos

“É um voto seguindo minhas convicções e tudo que estudei até aqui. Ao tomar essa decisão olho para o futuro do País e não para o próximo processo eleitoral“, ressaltou.

Tabata chegou a divulgar em suas redes sociais um vídeo em que lê um discurso onde afirma sua luta pelos mais pobres.

Não é fácil, não é cômodo escolher esse caminho, mas é absolutamente urgente e necessário”, destacou a deputada logo após dizer que teve coragem de tomar a decisão “dolorosa” por conta do regime da previdência atual “tirar dinheiro de quem menos tem e transferir para os mais ricos”.

“Ser de esquerda não pode significar ser contra um projeto que, de fato, pode tornar o Brasil mais desenvolvido e mais inclusivo. Damos um primeiro passo, aquele que é possível para que a gente possa voltar a crescer de forma fiscalmente responsável para então distribuir renda.

+ Reforma da Previdência é aprovada em primeiro turno

Ameaçada de expulsão de seu partido de origem PDT, Tabata já teve convite informal de outras legendas partidoras, entre elas o Cidadania por causa de suas afinidades entre convicções que a deputada tem e o partido, segundo deputados da legenda.

Ela foi sondada pelo deputado Marcelo Calero (RJ) e pelo presidente nacional do partido, Roberto Freire, ambos ex-ministros da Cultura, e pelo presidente do diretório em São Paulo, deputado Arnaldo Jardim (SP).

Foi feito uma sinalização a ela de que é muito bem vinda, mas estamos respeitando o momento dela, a decisão será dela“, disse o líder da legenda, deputado Daniel Coelho (PE).

Conforme jurisprudência no Tribunal Superior Eleitoral, não cabe ação de perda de mandato por infidelidade partidária se a expulsão for por descumprimento de orientação em votações no Congresso.

Os oito deputados do PDT que votaram a favor da Reforma da Previdência são:

Tabata Amaral (SP), Alex Santana (BA), Flávio Nogueira (PI), Marlon Santos (RS), Silvia Cristina (RO), Gil Cutrim (MA), Jesus Sérgio (AC) e Subtenente Gonzaga (MG).