Policial

Por que líderes de facções escolhem a zona rural de Flexeiras como esconderijo?

Análise da Operação Pau D'Arco revela como a topografia e a localização estratégica da Zona da Mata alagoana atraem cúpulas criminosas que fogem de estados vizinhos.

Agentes da FICCO e policiais militares prendem líder de facção em Flexeiras, Alagoas, durante operação conjunta com a Bahia
Agentes da FICCO/BA e FICCO/AL participam de operação que localizou e prendeu líder de facção escondido em Flexeiras, no interior de Alagoas. (Foto: Reprodução)

FLEXEIRAS (AL) — A localização de um líder de facção baiana na zona rural de Flexeiras, no último sábado (31/01/2026), levanta um alerta sobre a segurança na Zona da Mata alagoana.

A escolha da região como esconderijo por criminosos de alta periculosidade não é aleatória e responde a fatores geográficos e logísticos estratégicos.

Investigações da Operação Pau D’Arco apontam que a zona rural de Flexeiras e municípios vizinhos, como Joaquim Gomes e União dos Palmares, oferecem três vantagens principais para foragidos de outros estados:

  • Geografia de difícil acesso: O relevo acidentado e a mata densa impedem a aproximação rápida de viaturas, exigindo operações de “progressão silenciosa” como a realizada pelo BOPE;
  • Logística interestadual: A proximidade com a BR-101 e a BR-104 facilita o deslocamento rápido entre Alagoas, Pernambuco e Bahia, permitindo que líderes comandem o tráfico à distância;
  • Pontos cegos de comunicação: Áreas remotas com pouco sinal de telefonia dificultam o rastreamento em tempo real, servindo como “porto seguro” para cúpulas de facções.

No caso registrado no último sábado, o líder baiano morto no confronto utilizava uma propriedade em local isolado para coordenar homicídios no sudoeste da Bahia.

O criminoso acreditava que a distância de mais de 800 km de sua base original e a proteção natural da mata alagoana garantiriam sua invisibilidade.

Infográfico explica por que Flexeiras vira esconderijo do crime na Zona da Mata de Alagoas, com mapa de rotas, áreas de difícil acesso e isolamento

Infográfico detalha fatores que fazem Flexeiras ser usada como refúgio por criminosos na Zona da Mata alagoana. (Foto: Reprodução)

O papel do BOPE em terrenos de mata fechada

A operação conjunta entre as FICCOs da Bahia e Alagoas destacou a necessidade de unidades especializadas.

O BOPE/PMAL precisou adentrar a pé pela vegetação para cercar o imóvel sem ser detectado por “olheiros” ou câmeras improvisadas que criminosos costumam instalar nas estradas de acesso.

A tática de “esconderijo no interior” tem sido combatida com o aumento do monitoramento em rodovias estaduais. Com o novo investimento de R$ 84 milhões em fiscalização eletrônica, o cerco a veículos suspeitos que entram e saem da Zona da Mata deve ser intensificado nos próximos meses.

Segurança reforçada em Flexeiras e região

A morte do líder e de dois comparsas em Flexeiras encerra um ciclo de crimes violentos que começou na Bahia, incluindo o assassinato de uma jovem em janeiro de 2026.

Para a população local, a ação reforça a presença do Estado em áreas que antes eram consideradas “esquecidas” pela segurança pública.

O monitoramento de propriedades rurais alugadas por estrangeiros ou pessoas sem vínculo com a comunidade é uma das orientações das forças de inteligência para evitar que a região continue sendo utilizada como refúgio.

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