Nesta quinta-feira (8), completa-se um mês do desaparecimento da adolescente Ana Beatriz, de 15 anos, vista pela última vez no dia 8 de abril, após deixar o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), em Maceió. Mesmo com a localização de um corpo feminino no último sábado (2), as autoridades ainda não confirmaram oficialmente que se trata da jovem.
A identificação do cadáver depende de um exame de DNA, que está sendo conduzido pelo Laboratório de Genética Forense do Instituto de Criminalística de Maceió.
O corpo foi encontrado em uma fossa selada com cimento, em um sítio no Litoral Norte da capital alagoana, próximo à residência do principal suspeito, um homem de 43 anos que está preso desde 12 de abril.
A localização foi informada à Polícia Civil por meio da Polícia Penal. A mulher do suspeito, embora tenha sido mencionada, não é considerada envolvida no caso até o momento, segundo a delegada responsável, Talita Aquino.
No local do crime, as autoridades ainda aguardam o contato da proprietária do terreno, que mora fora de Maceió, e já ouviram o caseiro da propriedade, embora os detalhes do depoimento não tenham sido revelados.
O estado avançado de decomposição do corpo encontrado impossibilitou a identificação visual, por digitais ou por arcada dentária. A única característica física relatada pela família – uma cicatriz no queixo – não pôde ser verificada.
Exames dentários também geraram dúvidas, já que uma marca escura observada em um dente do cadáver não corresponde à arcada de Ana Beatriz, segundo os familiares.
A investigação agora se concentra na confirmação da identidade da vítima, na causa da morte e na motivação do crime. O laudo da necropsia descartou ferimentos por arma de fogo ou arma branca, levantando a hipótese de envenenamento.
A Polícia Civil aguarda o resultado da análise de amostras feitas pelo Laboratório de Química e Toxicologia Forense para esclarecer essa possibilidade.
Além da causa da morte, a polícia apura se houve participação de uma segunda pessoa, especialmente na ocultação do cadáver, dada a complexidade da operação para esconder o corpo.
A principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido premeditado, possivelmente motivado por um anúncio – ou simulação – de gravidez por parte da adolescente. Exames do Instituto Médico Legal (IML), porém, já descartaram que Ana Beatriz estivesse grávida.
O suspeito, conhecido da família e frequentador da mesma igreja da mãe da jovem, nega qualquer envolvimento afetivo ou amoroso com a adolescente. Ele admitiu ter ajudado Ana Beatriz com pequenos valores, inclusive por meio de terceiros, como uma transferência de R$ 20 feita por um açougueiro, a seu pedido, pouco antes do desaparecimento.
O desaparecimento da adolescente continua envolto em dúvidas. No dia em que desapareceu, Ana Beatriz deixou o campus por volta das 12h47, quatro horas antes do habitual, e embarcou em uma motocicleta de aplicativo com destino ao bairro da Garça Torta.
O horário e o trajeto não foram comunicados a ninguém, o que causou estranhamento por parte da família e das autoridades.
Enquanto a investigação avança, a família de Ana Beatriz mantém viva a esperança de que o corpo localizado na fossa não seja dela. A confirmação por DNA, cujo resultado pode demorar até 15 dias, é aguardada com ansiedade.
