MACEIÓ, AL — O alívio pelo encontro do caminhoneiro paulista Élcio Carlos Francisco Bueno, de 41 anos, no Hospital Geral do Estado (HGE), nesta quarta-feira (17), trouxe consigo uma série de perguntas perturbadoras que a Polícia Civil de Alagoas ainda precisa responder.
Encontrado “muito machucado”, segundo o delegado João Marcos (20º DP), Élcio encerrou um ciclo de 12 dias de desaparecimento. No entanto, o que deveria ser o fim de um mistério tornou-se o início de uma investigação complexa sobre uma violência que não segue os padrões comuns de crimes em rodovias.
O Mistério da cabine intocada
O ponto mais intrigante para os investigadores é o estado em que o caminhão de Élcio foi encontrado no dia 8 de dezembro, em um posto de combustíveis em Rio Largo. Diferente de casos de latrocínio (roubo seguido de morte), a cabine estava trancada e absolutamente nada foi levado.
Lá estavam:
- O telefone celular (principal ferramenta de contato);
- Documentos pessoais;
- Roupas e pertences;
- Cartão da frota da empresa.
Se o objetivo não era o roubo da carga de caixas d’água, nem dos pertences pessoais, quem teria interesse em retirar o motorista da cabine para espancá-lo brutalmente? A polícia agora tenta refazer os passos de Élcio entre a noite de 6 de dezembro e sua entrada no hospital.

Imagens de câmeras mostram caminhoneiro de São Paulo antes do desaparecimento em Alagoas.
Os 12 dias de “invisibilidade” no HGE
Outra lacuna crítica nesta história é a comunicação hospitalar. Élcio Bueno é um homem de 41 anos, cujo desaparecimento estava sendo amplamente divulgado pela imprensa e redes sociais em Alagoas e São Paulo.
Como um paciente com esse perfil deu entrada no maior hospital público do estado e permaneceu “invisível” por quase duas semanas? As autoridades investigam se ele deu entrada como “ignorado” (sem identificação) e por que o cruzamento de dados com o sistema de pessoas desaparecidas da Polícia Civil não ocorreu de forma imediata.
“Ele me reconheceu”: O relato da família
Em São Paulo, a esposa de Élcio, Isabel Cristina, viveu dias de agonia. Nesta quarta, através de uma videochamada facilitada por funcionários do HGE, ela pôde ver o marido pela primeira vez. Isabel confirmou que, apesar de muito debilitado e emocionado, Élcio a reconheceu.
O reencontro físico, no entanto, ainda depende da estabilização clínica do caminhoneiro. Ele segue sob cuidados médicos e a polícia aguarda a autorização dos doutores para colher o primeiro depoimento oficial, que é considerado a “peça-chave” para identificar os agressores.
CRONOLOGIA DO CASO
- 05/12: Élcio sai de Teotônio Vilela com carga de caixas d’água.
- 06/12 (22h30): Último contato com a esposa; ele estava em um posto em Rio Largo.
- 08/12: Caminhão é achado trancado e com todos os pertences. Começam as buscas.
- 17/12: Élcio é localizado internado no HGE, em Maceió, com marcas de agressão.
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