Um ano antes de matar o médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, a médica Nadia Tamyres Silva Lima registrou um boletim de ocorrência que descreve pelo menos 14 tipos diferentes de violência, supostamente praticados ao longo de 22 anos de relacionamento.
O documento, registrado em 5 de setembro de 2024, traz acusações que vão de agressões físicas a chantagens profissionais, controle psicológico e ameaças envolvendo terceiros.

Para facilitar a compreensão, o BR104 organizou cada acusação do BO, acompanhada do trecho original e da explicação jornalística.
1. Agressões físicas constantes
“Desde 2002 até 2011 foi agredida com empurrões, puxões de cabelos, chutes, rasteiras e tentativa de derrubá-la da moto.”
Nadia afirma que os primeiros nove anos da relação foram marcados por agressões físicas repetidas. Ela relata desde empurrões até ataques que colocaram sua vida em risco, como a tentativa de derrubá-la de uma moto em movimento.
2. Violência física grave em 2020
“Em 2020, o autor quase quebrou seu braço com um murro.”
Mesmo após duas décadas de relacionamento, ela afirma que continuou sofrendo agressões, incluindo um golpe tão forte que quase lhe causou fratura.
3. Violência psicológica progressiva
“A violência psicológica se intensificara, inclusive atingindo a filha menor de idade.”
O documento relata que a violência emocional se agravou nos últimos anos, afetando inclusive a criança do casal.
4. Controle educacional
“Escondia cadernos para impedir que ela estudasse, dizendo que iria ‘buscar macho’.”
A médica afirma que o ex-marido tentava impedir seus estudos desde cedo, sabotando seu desempenho escolar e profissional.
5. Controle comportamental extremo
“Obrigava a vítima a ficar sentada no tapete e ligava para confirmar.”
Esse relato indica um mecanismo de obediência e vigilância, típico de cárcere psicológico.
6. Controle da aparência
“Proibia maquiagem, brincos, corte de cabelo e unhas grandes.”
Segundo Nadia, ele determinava tudo sobre seu visual, justificando as proibições com frases humilhantes.
7. Humilhações verbais constantes
“Chamava a vítima de gorda, burra e ridicularizava até seu gosto musical.”
A médica diz que era alvo de insultos diários, diminuindo sua autoestima e autonomia.
8. Humilhações durante a faculdade
“Não deixava sair no intervalo porque estaria ‘procurando macho’.”
Mesmo durante a formação médica, o comportamento controlador continuou.
9. Chantagem com falso flagrante no hospital
“Colocou medicação na bolsa da vítima, gravou vídeo e ameaçou denunciá-la.”
Esse trecho aponta para uma tentativa de incriminá-la, usada como forma de controle profissional.
10. Violência na gestação
“Durante a gestação, ele discutia por ela ser acompanhada por médico homem.”
Ela relatou que até consultas obstétricas viraram motivo de brigas e ciúmes.
11. Violência envolvendo a filha
“Conforme Outro B.O, o autor foi indiciado por abuso sexual.”
A denúncia aponta que não apenas ela, mas também a filha pequena teria sido alvo de violência.
12. Controle financeiro
“Controlava todas as compras da vítima e mandou funcionários exigirem que passasse R$ 17 mil no cartão.”
Ela afirma que o ex-marido tinha domínio total sobre suas finanças, inclusive após a separação.
13. Ameaças envolvendo terceiros
“Disse que falaria com o primo Ninho, que já foi preso, caso ela o deixasse.”
O BO registra que ele usava até um parente com histórico criminal como instrumento de intimidação.
14. Desvalorização e humilhação
“Ele dizia que tirou ela da lama e que ela deve a vida a ele.”
O boletim termina com relatos de insultos que, segundo ela, eram usados para manter um ciclo de dependência emocional.
O boletim de ocorrência registrado por Nadia Tamyres descreve um conjunto de 14 acusações diferentes, supostamente cometidas por Alan Carlos ao longo de 22 anos de convivência.
Um ano e 2 meses após esse registro, ela atirou e matou o ex-marido em Arapiraca.
Agora, os dois casos — a denúncia e o homicídio — estão sob análise da Justiça.
