Policial

Adolescente que matou pais e irmão cogitou queimar, esquartejar e dar corpos a porcos

Segundo a polícia, ele planejou o crime com a namorada virtual, de 15 anos, que foi apreendida no Mato Grosso do Sul, onde reside.

Atualizado 7 meses atrás
Adolescente (à direita) junto com a família que assassinou | @ Reprodução
Adolescente (à direita) junto com a família que assassinou | @ Reprodução

O adolescente de 14 anos que matou a tiros os pais e o irmão em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, cogitou ocultar os corpos das vítimas com ajuda da namorada virtual, de 15 anos, com quem planejou os assassinatos. Em mensagens trocadas entre o casal, os dois discutiram possibilidades como queimar os cadáveres, esquartejá-los ou até mesmo entregá-los a porcos. As conversas também incluíam estratégias para escapar da polícia e evitar a identificação do autor do crime, como o uso de uma fronha para cobrir o revólver calibre 38 e não deixar digitais na arma.

O triplo homicídio aconteceu no dia 21 de junho, na residência da família. A arma usada no crime pertencia ao pai do garoto, que era registrado como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). O adolescente foi apreendido quatro dias depois, em 25 de junho, logo após os corpos serem encontrados. Já a garota, apontada como cúmplice no planejamento, foi apreendida na segunda-feira (30), em Mato Grosso do Sul, onde mora, por decisão da Vara da Infância de Itaperuna.

Embora tenha negado participação durante o depoimento, a investigação revelou que a adolescente teve envolvimento direto na elaboração do plano. O casal mantinha um relacionamento virtual há cerca de seis anos, que se intensificou no último ano. A garota chegou a criar um perfil exclusivo para se comunicar com o namorado. Em conversas trocadas nas redes sociais, os dois discutiram métodos para executar os assassinatos – entre eles, o uso de arma de fogo ou facas – e decidiram a ordem em que os familiares seriam mortos.

“Infelizmente verificamos, pelo teor das conversas, que realmente tem, sim, participação efetiva dela. Tanto em momento anterior, como durante as execuções e no momento posterior. Isso nos possibilitou colocá-la na cena do crime. Ela realmente foi partícipe. Ela o induziu e o instigou a todo o momento”, afirmou o delegado Carlos Augusto Guimarães da Silva, responsável pela investigação.

A polícia também identificou diálogos em que os adolescentes cogitavam matar outras pessoas, como a mãe da garota e a avó do garoto. No entanto, a ideia foi abandonada por receio de chamar mais atenção. Em outras conversas, a jovem pressionava o namorado para que fossem se encontrar pessoalmente, chegando a dizer que ele precisava “ser homem” – atitude que, segundo o delegado, caracteriza uma tentativa de chantagem emocional.

“Houve também um ultimato, dado pela própria adolescente, acerca do término do relacionamento caso não se encontrassem pessoalmente, reforçando a chantagem. E verificamos conversas sobre como ele obteria dinheiro para que viajasse. Também foram verificadas conversas sobre métodos de matar, se com arma de fogo ou facadas e qual seria a ordem dessas mortes”, detalhou Carlos Augusto.

Segundo o delegado, os adolescentes demonstravam frieza nas mensagens. Chegaram a planejar formas de desaparecer com os corpos, mencionando a possibilidade de picar os cadáveres, queimá-los ou jogá-los para serem devorados por porcos.

“E, também, conversa sobre como sumiriam com os corpos, sobre cães farejadores da polícia, sobre picar os cadáveres, queimar ou até mesmo dar para porcos comerem, numa demonstração de total menosprezo pelas vidas dos familiares do adolescente”, disse Carlos Augusto.

O delegado ainda revelou que havia discussões sobre qual vítima deveria ser morta primeiro. A decisão foi de que o pai seria executado antes, por ser o único capaz de reagir e impedir os demais homicídios. Eles também planejaram cometer os assassinatos em um momento em que o irmão mais novo não estivesse por perto. No entanto, o menino acabou sendo morto também, por decisão do próprio adolescente durante a execução do plano.

“Inicialmente a adolescente não queria que matasse o irmão caçula, mas, segundo o relato do próprio adolescente, foi uma decisão que partiu dele no momento em que o crime foi cometido. Vimos também um diálogo sobre como antecipar os assassinatos planejados, visto que o pai do adolescente viajaria. Ele queria antecipar as mortes”, explicou o delegado.

A viagem do pai, no entanto, acabou sendo cancelada, o que frustrou o adolescente. Segundo as investigações, ele pretendia aproveitar o valor que o pai receberia pela viagem para fugir. Também havia planos de vender o carro da família por R$ 60 mil e a casa onde moravam por R$ 300 mil, com o objetivo de financiar a mudança para Mato Grosso do Sul, onde viveria com a namorada.

Outro aspecto investigado pela polícia é a influência de um jogo virtual de terror psicológico que o garoto costumava acessar. O enredo do jogo envolvia dois irmãos com uma relação incestuosa que assassinavam os próprios pais, o que pode ter influenciado diretamente a conduta do menor.