Polícia

Golpe do falso financiamento faz centenas de vítimas em Alagoas; suspeitos são presos

Operação “Contrato Cego”, da Polícia Civil, desarticulou grupo que simulava financiamentos imobiliários e enganava compradores com contratos de consórcio.

Atualizado 4 meses atrás
Viatura da Polícia Civil de Alagoas | © Reprodução
Viatura da Polícia Civil de Alagoas | © Reprodução

A Polícia Civil de Alagoas deflagrou, nesta quinta-feira (23), a “Operação Contrato Cego”, que levou à prisão de suspeitos envolvidos em um golpe de falso financiamento imobiliário. O esquema, segundo as investigações, enganou centenas de pessoas no estado e movimentou processos judiciais em todo o país.

A investigação identificou uma organização criminosa que atuava no setor imobiliário, oferecendo supostos financiamentos para compra de imóveis. As vítimas acreditavam estar firmando contratos legítimos e pagavam uma entrada de cerca de 10% do valor do bem. Na prática, tratava-se de um consórcio, o que deixava os clientes sem o imóvel e sem previsão de recebê-lo.

“A organização induzia as pessoas a acreditarem que estavam contratando um financiamento para aquisição de imóvel, mediante o pagamento de uma entrada de cerca de 10%. Na verdade, tratava-se de um consórcio, e as vítimas acabavam sem o imóvel e sem previsão de recebê-lo”, explicou a delegada responsável pelas investigações.

De acordo com a Polícia Civil, o golpe era aplicado em larga escala e contava com uma estrutura montada para dar aparência de legalidade. Em Alagoas, já existem cerca de 120 processos cíveis relacionados ao caso, além de boletins de ocorrência e inquéritos criminais em andamento. No restante do país, mais de 3.700 processos estão ligados à mesma prática.

Ainda conforme a investigação, os criminosos usavam redes sociais e escritórios de fachada para atrair vítimas. “Eles criavam pessoas jurídicas individuais ligadas a uma empresa principal e migravam de sede em sede para dificultar a identificação. Corretores captavam clientes pelas redes sociais e, nos escritórios, induziam as pessoas a assinarem contratos sem saber que se tratava de um consórcio”, detalhou a delegada.

As apurações começaram após o aumento no número de denúncias registradas na Delegacia de Estelionatos. Ao todo, duas pessoas foram presas, e oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes endereços. Em uma das residências, munições foram apreendidas. Um dos suspeitos já tinha passagem pela polícia.

A operação contou com o apoio de unidades especializadas e setores de inteligência da Polícia Civil. O nome “Contrato Cego” faz referência à forma como o grupo atuava, levando as vítimas a assinarem contratos sem saber do conteúdo real, o que configura estelionato e organização criminosa.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e rastrear o destino do dinheiro arrecadado com o golpe.