Polícia

Esteticista notou abusos em clínica de reabilitação antes de morrer, diz polícia

Polícia afirma que a vítima demonstrou preocupação com o tratamento dado a internos e foi morta após receber doses excessivas de medicamentos.

Cláudia Pollyanne Farias de Sant Anna, de 41 anos | @ Arquivo pessoal
Cláudia Pollyanne Farias de Sant Anna, de 41 anos | @ Arquivo pessoal

A morte da esteticista Cláudia Pollyanne, ocorrida dentro de uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro, Alagoas, segue sob investigação e revela um cenário de graves violações contra pacientes. De acordo com a Polícia Civil, a vítima havia percebido práticas de violência no local e chegou a comentar com pessoas próximas que “era preciso fazer alguma coisa” diante do que presenciava. Pouco tempo depois, foi dopada com medicamentos e não resistiu.

A suspeita da polícia é que, após a morte, os responsáveis tentaram simular outra situação para encobrir o crime. O corpo de Pollyanne teria sido levado até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), como se o óbito tivesse acontecido lá, numa tentativa de dificultar a investigação.

Segundo informações repassadas pela delegada Liana França, que integra a equipe de quatro delegadas responsáveis pelo caso, a esteticista demonstrou preocupação depois de notar a forma como um dos internos era tratado dentro da instituição.

“Juntando os fatos, a morte de Pollyanne e o caso da adolescente resgatada no local, nós continuamos com as investigações. A cada dia surgem novas vítimas que relatam situações absurdas dentro da clínica”, afirmou a delegada.

Depoimentos coletados nos últimos dias relatam abusos sexuais, ameaças, intimidações, alimentação precária, negligência e outras formas de violência. De acordo com a polícia, até mesmo gestos pejorativos e humilhações eram praticados pelo dono do estabelecimento contra pessoas em tratamento.

“Isso é imperdoável, principalmente em um lugar que deveria cuidar de pessoas com transtornos ou dependência química”, disse a delegada.

Com a prisão dos proprietários da clínica, novas denúncias começaram a surgir. Muitos pacientes e familiares relataram que não denunciavam os abusos antes por medo.

“Uma delas confirmou que era ameaçada a não denunciar”, acrescentou a investigadora.

O caso ganhou maior repercussão depois do resgate de uma adolescente de 16 anos, no início de agosto, que denunciou ter sofrido abusos dentro do local. A partir do depoimento da jovem, a polícia intensificou as apurações e solicitou as prisões dos donos da instituição.

A proprietária foi detida no dia 15 de agosto e permanece presa. Já o marido foi localizado uma semana depois, em 22 de agosto, escondido em um motel no bairro de Jacarecica, em Maceió, onde foi capturado.

As investigações seguem em andamento e devem reunir novos testemunhos nas próximas semanas.