A Polícia Federal (PF) investiga Aially Xavier, esposa do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. A residência do casal, em Maceió, foi alvo de busca e apreensão na última quinta-feira (2), durante a Operação Última Fase, que cumpriu ainda 12 mandados em outros estados e três prisões preventivas.
Segundo a investigação, Aially concorreu a uma vaga de auditor fiscal do trabalho e apresentou um gabarito idêntico ao de outros candidatos ligados ao esquema. A coincidência incluía respostas corretas e erradas, na prova de conhecimentos específicos, levantando suspeitas de fraude. Apesar da estrutura do concurso em blocos temáticos, criada para dificultar fraudes, análises da banca organizadora, Cesgranrio, apontaram padrões repetidos em pelo menos quatro participantes, incluindo a investigada.
A PF ressalta que, até o momento, não foram encontradas provas diretas nos dispositivos de Aially, mas há “fortes indícios” de que ela possa ter se beneficiado do esquema.
O grupo investigado atuava de forma estruturada e recorrente, utilizando métodos como manipulação de ponto eletrônico para driblar a fiscalização durante as provas. Além do CNU, os investigadores apuram fraudes em certames da Polícia Civil de Pernambuco, da Universidade Federal da Paraíba, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Como resultado das apurações, os envolvidos foram excluídos dos concursos e afastados de cargos eventualmente conquistados de forma irregular. Eles podem responder por fraude em certame público, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documentos. O Ministério Público Federal na Paraíba também acompanha as investigações.
Aially Xavier, por sua vez, negou qualquer participação em irregularidades. Em nota, a defesa afirmou que “não há prova ou materialidade nas supostas irregularidades” e que coincidências em gabaritos são comuns em provas concorridas. A defesa questionou ainda a autoridade da ordem de busca, emitida por um delegado da Paraíba, enquanto a investigada reside em Alagoas.
