Alagoas

Adolescente encontrada em cova rasa foi morta por facção após falsa acusação de delação

Investigações confirmaram que Kelly Kethylin, de 16 anos, nunca fez denúncia contra criminosos e foi vítima da arbitrariedade do chamado “tribunal do crime”.

Atualizado 6 meses atrás
Jovem de 16 anos e local onde seu corpo foi encontrado enterrado em cova rasa, em área de mata | @ Reprodução
Jovem de 16 anos e local onde seu corpo foi encontrado enterrado em cova rasa, em área de mata | @ Reprodução

A Polícia Civil de Alagoas concluiu, nesta terça-feira (12), o inquérito que apurou o desaparecimento e homicídio de Kelly Kethylin Bezerra Gomes, de 16 anos, ocorrido no fim de junho, no município de Olho d’Água das Flores. As investigações apontaram que a adolescente foi executada por ordem da cúpula de uma facção criminosa, após ser submetida a um chamado “tribunal do crime” sob a falsa acusação de ser delatora.

De acordo com a Delegacia de Olho d’Água das Flores, a análise minuciosa das provas confirmou que Kelly nunca fez qualquer denúncia à polícia e que foi morta injustamente, vítima da arbitrariedade e violência da facção que atua na região.

A adolescente desapareceu no dia 26 de junho, um dia após ter sido vista com vida pela última vez. O corpo dela foi encontrado no dia 1º de julho, enterrado em uma cova rasa em uma área de mata. A identidade foi confirmada após exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML). Com a confirmação, a polícia intensificou as diligências para esclarecer o crime.

O inquérito apontou a participação de quatro suspeitos: três homens e uma mulher. Dois estão presos preventivamente, um morreu em confronto com a Polícia Militar e o quarto permanece foragido.

Entre os presos está o homem identificado como líder da facção criminosa, capturado no dia 16 de julho em um ônibus na Bahia, quando tentava chegar ao Rio de Janeiro. A companheira dele foi detida inicialmente por tráfico de drogas em Olho d’Água das Flores, mas, segundo as investigações, também teria atraído Kelly para o local onde ela foi morta.

O terceiro investigado morreu no dia 9 de julho, durante troca de tiros com a polícia. O quarto ainda é procurado.

A Polícia Civil reforça que a ordem para matar Kelly partiu diretamente da liderança da facção, como forma de “punição” pela falsa acusação de traição. Segundo os investigadores, esse tipo de julgamento paralelo – o “tribunal do crime” – é um mecanismo usado por organizações criminosas para impor medo e controle sobre comunidades, ignorando completamente qualquer base de justiça.