O governo da Malásia aprovou, em março de 2025, os termos do contrato com a empresa Ocean Infinity para uma nova fase da busca ao avião do voo MH370, desaparecido há mais de uma década.
O acordo segue a fórmula “no-find, no-fee” — expressão em inglês que significa “não encontrou, não paga”.
Pelos termos, o país asiático se compromete a desembolsar US$ 70 milhões apenas se forem localizados destroços significativos do Boeing 777.
Na cotação atual, o valor equivale a cerca de R$ 377 milhões, quase meio bilhão de reais.
De acordo com o Ministério dos Transportes da Malásia, a área de varredura cobre aproximadamente 15 mil quilômetros quadrados no sul do Oceano Índico — região considerada a mais promissora após uma nova análise de dados de satélite e da deriva de fragmentos encontrados em anos anteriores.
A Ocean Infinity, empresa britânica especializada em tecnologia submarina, banca integralmente os custos operacionais — navios de pesquisa, veículos autônomos e equipamentos de varredura de fundo oceânico.
Somente se alcançar o objetivo de identificar o local do impacto, a companhia receberá o pagamento milionário.
O contrato estabelece prazo de até 18 meses para a conclusão dos trabalhos, o que deve se estender entre 2025 e 2026.

Avião desaparecido do voo MH370 – @Reprodução
A nova fase das buscas foi anunciada 11 anos após o desaparecimento do MH370.
No fim de fevereiro de 2025, a Ocean Infinity chegou a posicionar um de seus navios na área indicada, mas a operação foi interrompida no início de abril.
Segundo o ministro dos Transportes da Malásia, Anthony Loke, a pausa ocorreu por causa das condições adversas do mar no Hemisfério Sul, onde não é considerado o período ideal para esse tipo de operação.
O governo informou que pretende retomar os trabalhos no fim de 2025, quando as condições climáticas devem estar mais favoráveis.
O desaparecimento do voo MH370
O voo MH370, operado pela Malaysia Airlines, decolou de Kuala Lumpur com destino a Pequim em 8 de março de 2014.
A bordo estavam 239 pessoas — 227 passageiros e 12 tripulantes.
Menos de uma hora após a decolagem, o avião desapareceu dos radares.
As investigações concluíram que o Boeing 777 desviou da rota prevista e seguiu em direção ao sul do Oceano Índico, onde se acredita que tenha caído no mar.
Desde então, nenhum dado conclusivo permitiu localizar o ponto exato do impacto nem recuperar as caixas-pretas da aeronave.

Aeronave da Malasya Airlines – @Reprodução
O governo malaio enfrenta forte pressão de familiares das vítimas, que seguem em busca de respostas.
O ministro Anthony Loke afirmou que o Estado está “comprometido em continuar as buscas e proporcionar encerramento às famílias”.
O modelo “só paga se achar”, segundo o governo, serve também como mecanismo de controle dos gastos públicos, evitando que o país invista somas milionárias sem resultados concretos.
Ao mesmo tempo, o formato estimula a empresa a usar tecnologias avançadas, como veículos autônomos submersos e sonares de alta resolução, capazes de varrer áreas profundas e ainda pouco exploradas do oceano.
