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Jovens argentinas são torturadas, mortas e esquartejadas ao vivo em transmissão nas redes sociais

O caso, que chocou Buenos Aires, já resultou em 12 prisões, mas a investigação continua em busca de outros envolvidos.

Atualizado 4 meses atrás

Três jovens argentinas foram encontradas mortas de forma brutal na região metropolitana de Buenos Aires. A confirmação ocorreu nesta quinta-feira (25), seis dias após o desaparecimento delas. Os corpos, segundo informações divulgadas pela imprensa local, foram localizados esquartejados em um imóvel associado a uma rede criminosa.

As vítimas foram identificadas como Brenda Castillo e Morena Verri, ambas de 20 anos, e Lara Gutiérrez, de apenas 15. O caso está sob segredo de Justiça e já levou à prisão de 12 suspeitos. Apesar disso, os investigadores acreditam que outras pessoas ainda estejam envolvidas. A principal linha de apuração aponta que as mortes foram resultado de um acerto de contas ordenado por um traficante foragido, em um ato de vingança contra rivais.

De acordo com o secretário de Segurança de Buenos Aires, Javier Alonso, o martírio das três adolescentes e jovens mulheres foi exibido em tempo real para cerca de 45 pessoas em um grupo restrito nas redes sociais. Durante a transmissão, um dos líderes do crime teria afirmado: “Isso acontece com quem rouba minhas drogas”.

As vítimas eram moradoras do distrito de La Matanza, o mais populoso da província de Buenos Aires. O jornal argentino Clarín informou que Brenda e Morena seriam primas e trabalhavam como profissionais do sexo, mas as famílias não confirmaram essa versão.

As investigações tiveram início com o relato de um familiar, que contou às autoridades que as jovens haviam marcado encontro com um suposto cliente. O homem teria oferecido cerca de 300 dólares a cada uma e as buscou em um posto de gasolina, onde elas foram vistas pela última vez.

Com base nisso, a polícia conseguiu identificar o veículo em que entraram: uma picape Chevrolet Tracker branca. O carro circulava com placas clonadas e já era procurado por roubo desde agosto. O rastreamento do automóvel mostrou que ele desapareceu em um cruzamento próximo à cidade de Florencio Varela.

O último sinal do celular de Lara também foi detectado naquela região, às 23h14 da última sexta-feira (19), reforçando a ligação com o local onde os corpos seriam descobertos dias depois.

O laudo pericial revelou que as jovens foram assassinadas entre seis e dez horas após entrarem no carro. Os restos mortais estavam escondidos no subsolo de uma casa, alguns em sacos de lixo.

Lara, a mais jovem, teve cinco dedos da mão esquerda e uma orelha amputados antes de ser degolada. Brenda foi submetida a várias facadas no pescoço, além de espancamentos, e acabou morta por um golpe que esmagou seu rosto. Depois, os criminosos abriram seu abdômen. Morena sofreu agressões no rosto e teve o pescoço quebrado.

Doze pessoas foram presas até agora. Entre elas, um homem e uma mulher encontrados na própria casa onde os corpos estavam ocultados. O casal seria responsável por tentar eliminar evidências, pois o imóvel apresentava manchas de sangue, cheiro forte de cloro e sinais de terra recém-revolvida nos fundos.

Os proprietários da residência também foram detidos. Eles são apontados como integrantes de uma facção de narcotráfico que opera na região. Apesar das prisões, a polícia ressalta que o caso ainda está em aberto e novas detenções devem ocorrer.