Maceió de Frente Pra Lagoa: A promessa que dura quatro anos

Promessa de Rui Palmeira, investimento de R$ 142 milhões atenderá 1,8 mil famílias das comunidades Sururu de Capote, Torre, Muvuca e Peixe, no Dique Estrada.

Maceió de Frente Pra Lagoa: A promessa que dura quatro anos — © O Que Os Olhos Não Veem

Maceió de Frente Pra Lagoa: A promessa que dura quatro anos — © O Que Os Olhos Não Veem

Cerca de 2 mil famílias ainda esperam por uma promessa de campanha feito pelo então candidato à reeleição, Rui Palmeira: o Maceió de Frente Pra Lagoa. Entretanto, até agora a promessa não passou de peças caprichosamente produzidas por competentes marqueteiros, sempre muito bem pagos.

“Vamos lutar para conseguir mais 8 mil habitações. As pessoas que nós vamos precisar remover da beira da lagoa, não vamos jogar no Benedito Bentes ou no Tabuleiro, nós vamos deixá-las na mesma região, na região lagunar”, afirmou Rui durante debate na Tv Gazeta, em 2016.

A equipe de reportagem do Portal BR104 foi até a Favela Mundaú, à margem da lagoa que carrega o mesmo nome, no bairro Vergel do Lago, na parte baixa de Maceió, para conferir de perto a realidade dos moradores daquela localidade, e ver se de lá pra cá as obras ao menos tiveram início.

Quatro anos depois, das moradias prometidas pelo prefeito, se quer uma parede foi levantada. Nesse período, uma empresa contratada pela prefeitura chegou a se instalar no local, mas, segundo relatos de moradores, em menos de 30 dias abandonou o canteiro de obras.

“Eles deram início, trouxeram máquinas e cortaram o asfalto, ai eu disse ‘pronto, agora vai’. Depois colocaram um contêiner para fazer o escritório e, resumindo, em menos de um mês deixaram a obra. Depois mudaram o transporte para o lado de cá, agora é um inferno. É ônibus e carro de um lado e do outro”, contou o aposentado Cícero Silva.

No lugar, o que ainda se ver é lixo, buracos, animais soltos, esgotos à céu aberto e muitos urubus, o que destoam da linda imagem que ilustrava o que seria o programa “De Frente Pra Lagoa”, que além de urbanizar e humanizar toda a área, também transformaria a região num ponto turístico importante para a cidade.

Pescador, Elias disse que fazem alguns dias que o local voltou a ser frequentado por trabalhadores, mas que desconfia, já que as eleições municipais estão próximas. “Se daqui pra lá eu não ver nem dois ou três metros de prédio em pé, sei que vai acontecer como da última vez”, enfatiza.

Enquanto o sonho da casa própria fica só no papel, o pescador ainda tem esperança de um dia ver a finalização do projeto, que será construído com recursos oriundos do Programa Minha Casa, Minha Vida e orçado em R$ 142 milhões. “Eu creio que um dia isso ai saia. […] E se sair do papel vai ficar uma coisa linda”, afirma.

Será que agora vai?

Em 25 de agosto, Rui Palmeira assinou o termo do contrato para a retomada do “De Frente pra Lagoa”, que contempla a construção do Residencial Vilas do Mundaú, projeto de infraestrutura e habitação que beneficia a orla lagunar, no Dique Estrada. A assinatura aconteceu no Ministério do Desenvolvimento Regional, em Brasília.

O projeto atenderá 1,8 mil famílias das comunidades Sururu de Capote, Torre, Muvuca e Peixe, com serviços de saneamento básico, pavimentação, eletrificação e iluminação. Além disso, o esgotamento sanitário será interligado à rede coletora dos bairros do Vergel do Lago e Trapiche da Barra, que leva ao emissário submarino.

Os empreendimentos terão área de recreação, quadra poliesportiva e salão de festa. Todas as unidades do térreo foram projetadas para atender as necessidades especiais de idosos e pessoas com deficiência.

Seu Pedro Lopes, 67 anos, mora em um barraco construído às margens da Mundaú — © O Que Os Olhos Não Veem