Neste domingo (7), mulheres em diversas regiões do Brasil foram às ruas para protestar contra o aumento dos casos de feminicídio no país, incluindo manifestações em Maceió. Na capital alagoana, um momento incomum chamou a atenção durante o ato.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, enquanto as manifestantes entoavam palavras de ordem contra a violência de gênero, um homem surgiu na varanda de um prédio, proferindo gritos contra o protesto, chamando as mulheres de “fascistas” e mencionando, em tom exaltado, o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A atitude provocou indignação entre as participantes, que se reuniam de forma pacífica para reivindicar o direito de existir com liberdade e segurança. Nas imagens, o homem aparece visivelmente alterado, batendo no peito e repetindo ofensas contra as manifestantes. Em outro momento, volta a gritar o nome do ex-presidente.
Isso faz questionar sobre a associação feita por ele entre política partidária e um protesto cuja pauta central é o combate à violência contra a mulher. Mais do que uma manifestação isolada, o comportamento registrado no vídeo acaba por refletir, em escala simbólica, uma lógica de silenciamento e intimidação que também está na raiz dos casos de feminicídio: a tentativa de se impor sobre a existência, a voz, o desejo e, principalmente, o “não” das mulheres – postura semelhante à daquele que, da varanda, tentou se sobrepor às milhares de vozes reunidas em defesa do direito de viver sem violência.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Brasil ultrapassou mil vítimas de feminicídio em 2025. Em Alagoas, foram registrados 13 casos entre janeiro e junho deste ano.
Já a Casa da Mulher Alagoana contabilizou 1.321 atendimentos entre janeiro e agosto de 2025. Desde 2021, o órgão realizou quase seis mil acolhimentos a mulheres em situação de violência.
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