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Maceió

Exclusivo: Moradores do Pinheiro, em Maceió, quebram o silêncio após visita do MP

Todos os dias, uma equipe da Defesa Civil Municipal, monitora o bairro e interdita vias que oferecem perigo aos moradores

Publicado: | Atualizado em 04/02/2019 09:01


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Maceió – Há um ano, os moradores do bairro do Pinheiro, em Maceió, sofrem com um fenômeno que tem tirado o sono de quem vive por lá. Rachaduras e afundamentos nas ruas, paredes e pisos das casas não tem ainda uma explicação definida por parte das autoridades.

A equipe de reportagem do BR104 teve acesso a uma residência localizada no Conjunto Jardim Acácia, naquele bairro, e constatou o estrago causado pelo fenômeno. Joeliton, proprietário do imóvel, contou que deixou a casa com a família em fevereiro de 2018, depois que uma cratera foi formada nos fundos do imóvel.

“Você está dormindo e quando acordar, acordar com a casa praticamente destruída, não é fácil pra ninguém. Isso veio acontecer praticamente há uma ano e até hoje continuamos esperando uma resposta pra ver se alguém consegue decifrar qual o mistério que está ocorrendo aqui no bairro. Começou na rua em que moro, e hoje o problema se estende praticamente em todo o bairro.”

Todos os dias, uma equipe da Defesa Civil Municipal, monitora o bairro e interdita vias que oferecem perigo aos moradores. Carros e caminhões de mudanças em operação são vistos com frequência na região, bem como imóveis evacuados nas áreas mais críticas.

Segundo a fala do ex-prefeito Corintho Campelo, uma explicação rápida e objetiva precisa ser dada a população.

“Eu acho que está havendo uma irresponsabilidade dos três poderes da República – Federal, Estadual e Municipal. Esse problema no Pinheiro deve ser dividido em duas etapas: primeiro, proteção da sociedade, da população que mora aqui no bairro. Os governos estadual e municipal, deveriam ter realocado toda essa população aqui para uma área segura, porque se existe uma possibilidade mínima de risco aqui, o poder público tem que tomar uma providência”, destaca o ex-prefeito de Maceió, Corintho Campelo da Paz.

“Segundo: é preciso que as autoridades constituídas, como o Governo do Estado e Prefeitura, assim como as entidades representativas da cidade, como CREA, OAB e Ministério Público (MP), exijam, junto como o Governo Estadual e Municipal, que o Governo Federal venha a público e diga se durante esses quarenta anos, cumpriu sua obrigação condicional de fiscalizar a extração da salgema do subsolo da cidade de Maceió. Se fez, apresente o relatório para que a sociedade tome conhecimento do que realmente está acontecendo. Se não fez, seja honesto e diga que não fez, tem responsabilidade com isso, vai fazer no prazo tal e apresentem o relatório”, acrescenta ele.

“Já a empresa que realmente explora a salgema, tem de vir a público e dizer se cumpriu com suas obrigações, se tomou as providências cautelares, para que que não ocorra problema no subsolo de Maceió em decorrência da extração de salgema. Maceió, hoje, está tendo um prejuízo bilionário. Primeiro, desvalorizou uma área enorme lá da nossa orla marítima e lagunar, aquilo já tá feito lá. Agora, a possibilidade de Maceió perder uma grande parte territorial. E quem é o responsável por isso? Tem que ter um responsável”, conclui.

Nesta situação, os imóveis do bairro sofrem uma desvalorização no mercado imobiliário. Para onde se olha, não é difícil enxergar anúncios de vendas. As procuradoras do Ministério Público Federal de Alagoas, Niedja Kaspary e Roberta Bonfim, estiveram na tarde deste sábado (02) no bairro para uma visita técnica na região.

A procuradora regional dos diretos do cidadão, Niedja Kaspary, ressaltou a necessidade do contato direto com o problema para constatar a real situação do bairro e as necessidades dos moradores. “Nós vamos ter uma reunião, amanhã, com a Braskem, com a associação dos moradores, do S.O.S Pinheiro e com os moradores, e outra reunião na segunda-feira, com a Defesa Civil, com as secretarias de Saúde e Assistência Social, pra gente se inteirar mesmo de todo o trabalho que a população está recebendo do município nesse momento e também para se inteirar da situação aqui no local, efetivamente para saber o que está o ocorrendo, o que aconteceu”.

“Nós dormimos bem e acordamos desabrigados”, disse Ana Gonzaga, moradora do bairro, referindo-se a atual situação. Ela disse ainda que vive uma situação de terror. “O que as mídias falam por ai é que já tem uma verba social, que está tudo certo, o governador diz que todo mundo está amparado, prefeito nem aparece, onde na verdade, ninguém recebeu um centavo desse aluguel social, dessa verba que veio do Governo. Ela veio, tá aqui, mas deve está no bolso de alguém, porque tem moradores aqui que fez o cadastro há três meses e ninguém recebeu um centavo”, desabafa ela.

Ela denuncia ainda a demora da Defesa Civil para atender ao chamado dos moradores dos imóveis afetados. “Ontem, nós fomos avisados que ninguém poderia dormir aqui. Nem ontem e nem hoje por conta da previsão de fortes chuvas. Saí da minha casa com minha mãe e meus filhos, e fui para casa de amigos. A gente não tem pra onde ir. A minha mãe, ontem, teve que puxar a Defesa Civil pelo braço, porque a gente chama e eles não vem, dizem que tem que ligar pra agendar. A gente liga e agenda. Ligamos no dia seguinte para cobrar: ‘a equipe foi pra rua e não temos informações’. Eles estão muito preocupados com esse Plano de Contingência. A gente não quer só a prevenção, nós queremos a solução. Ninguém quer passar por esse terror que eles estão esperando. A gente quer sair, e sair o quanto antes”.

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