MÁCEIO (AL) – Nesta quarta-feira (10), celebra-se os 105 anos do nascimento da escritora Clarice Lispector. Coincidentemente, sua morte ocorreu um dia antes do seu aniversário, no dia 9 de dezembro, como a partida de uma estrela na véspera da sua luz. Alguns não sabem, mas Lispector, ainda bebê, e sua família vieram para Maceió, Alagoas, logo após fugirem das perseguições aos judeus na Ucrânia em 1922. Em solo maceioense, ela viveu seus primeiros anos de vida. Sua ligação com o estado, inclusive, a fez citá-lo no livro “A Hora da Estrela”.
Sim, é fato que a escritora se mudou de Maceió para Recife, Pernambuco, ainda criança, e mais tarde para o Rio de Janeiro, na sua fase jovem e adulta, mas a sua conexão com Alagoas, bem como o Nordeste, é nítida na escrita de seu último livro. Em A Hora da Estrela, Lispector, por meio do narrador Rodrigo S. M., conta a história de Macabéa, descaradamente descrita como alagoana. Na história, a personagem migra para a capital carioca em busca de melhores condições de vida, representando a saga de muitos nordestinos.
A origem humilde e a essência ingênua de Macabéa a fazem ter um choque cultural ao chegar “na cidade grande”, onde ela passa por muitos percalços em suas relações pessoais, bem como no seu trabalho de datilógrafa. Ela sente dificuldade em se instalar totalmente na cidade após anos não sabendo ser quem é, tampouco sabendo sonhar, vivendo uma vida sem grandes emoções e sentidos.
Em homenagem a Clarice Lispector, recomenda-se a leitura deste livro. Ele é para todas aquelas mulheres que se sentem invisíveis, como se não soubessem, de fato, existir e sonhar, e talvez nem saibam disso. A obra é um soco no estômago, mas também pode ser uma chamada à luz, antes que as cortinas se fechem.
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