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Greve

Sem acordo, “briga” entre prefeito e servidores de Ibateguara vai parar no TJ

O município tem um dos piores índices do IDEB para os anos finais do ensino fundamental no estado de Alagoas

Publicado: | Atualizado em 16/08/2019 03:54


Os servidores da educação do município de Ibateguara, na zona da mata alagoana, vêm travando nas últimas semanas, uma verdadeira batalha pela devida valorização de seus salários, que segundo o sindicato municipal da categoria, está defasado em 26% desde o ano de 2016.

Embora o pedido de reajuste seja de apenas 6,8%, e apesar das tentativas dos servidores em negociar, nada parece sensibilizar o prefeito Geo Cruz (PTdoB), que alegou perante o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), que a greve é ilegal, pedindo a suspensão da mesma e que fosse determinada a volta aos trabalhos de todos os grevistas.

O prefeito argumentou, entre outras coisas, que o movimento grevista não comunicou a gestão municipal sobre a paralisação com a antecedência exigida pela legislação.

Decisão favorável ao Prefeito

O pedido feito por Geo Cruz foi parcialmente acatado pelo Desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, no dia 9 de Outubro, que diante do que lhe foi apresentado, considerou que o movimento de greve não atendeu a todos os requisitos previstos em lei, determinando por isso, o retorno imediato dos grevistas á atividade sob pena de multa diária de R$ 2 mil reais caso a decisão fosse desrespeitada.

Geo Cruz teve negado pelo desembargador, o pedido para que fosse determinada aos réus a proibição de voltarem a paralisar suas atividades. O desembargador Tutmés entendeu a luz da constituição, que não há procedência em tal pedido, garantindo aos servidores da educação do município de Ibateguara, o livre direito de greve.

SINDIB recorre da decisão

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ibateguara – SINDIB, mesmo contrariado, acatou de imediato a determinação da justiça, embora o mesmo tenha recorrido da decisão. O portal BR104 teve acesso as várias informações e documentos apresentados pelo SINDIB, no recurso impetrado junto ao TJ, entre os quais, há fotos de documentos e um áudio do prefeito.

Por meio destes documentos, o sindicato alegou que seguiu absolutamente todos os requisitos previstos em lei, inclusive comunicando com a devida antecedência ao gestor municipal sobre a paralisação, que se iniciou no dia 2 de Outubro e só teve fim no dia 9 do mesmo mês com a decisão do tribunal de Justiça de Alagoas.

Decisão favorável ao SINDIB

No dia 23 de Outubro, o recurso apresentado pelo sindicato foi acatado pelo TJ, que reconheceu a legalidade do movimento paredista deflagrado pelo sindicato dos servidores Públicos Municipais de Ibateguara, determinando em contra partida, que permaneça na ativa 30% dos servidores. Os servidores ainda não se pronunciaram quanto a se voltam a paralisar suas atividades ou se irão junto a justiça, continuar pleiteando o reajuste salarial.

Porquê o prefeito não negocia?

Entre as provas apresentadas pelo SINDIB, destaca-se um áudio em que o prefeito de Ibateguara, em evento político, tenta influenciar na eleição do sindicato dos servidores públicos municipais, dizendo em tom ameaçador, que, caso a chapa 1 (um) ganhasse as eleições, não sentaria para negociar com a categoria, mesmo que a justiça o mandasse fazê-lo. Na visão do prefeito a chapa 1 (um) representa a oposição a sua administração.

Uma vez que a chapa 1(um) venceu, a atitude irredutível de Geo Cruz em não sentar para negociar com a categoria, reforça a impressão sentida pelos servidores, de que este está cumprindo com as ameaças que fez.

Nossa equipe de reportagem esteve no município, apurando as informações e ouvindo os envolvidos, entretanto, o prefeito não respondeu as tentativas de contato.

O município de Ibateguara, de acordo com os dados do qedu.org.br, não atingiu a meta no IDEB/2017 para os anos finais do ensino fundamental, amargando com isso o pior IDEB da região da mata de Alagoas.

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