Ligar a TV e, ao mesmo tempo, destravar o celular virou o novo ritual das noites em casa. Novela das nove, final de reality, jogo decisivo ou série no streaming: quase tudo hoje é consumido com outra tela acesa no colo. Esse comportamento, conhecido como segunda tela, já faz parte da rotina de quem acompanha entretenimento no Brasil.
Na prática, a segunda tela transforma o ato de assistir em uma experiência dupla. Enquanto a novela ou o reality passam na TV, o público comenta cenas, procura fofocas, vota em enquetes e acompanha memes em tempo real nas redes sociais. O programa deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser ponto de partida para conversas paralelas, em grupos de mensagem e plataformas como X, Instagram e TikTok.
O que é a segunda tela no entretenimento
Especialistas em comunicação chamam esse fenômeno de social TV. A lógica é simples: o espectador não quer apenas ver, quer reagir, participar e sentir que está assistindo “junto” com outras pessoas, mesmo sozinho no sofá. Em realities, isso fica ainda mais claro. A formação de paredão, a prova de resistência ou a briga ao vivo ganham imediatamente uma camada de repercussão digital que influencia a forma como o público percebe os participantes.
As emissoras e plataformas entenderam rápido a força da segunda tela. Hashtags oficiais aparecem em cantos da tela, aplicativos são usados para votação e QR Codes convidam o público a participar de promoções, enquetes e conteúdos extras. Programas são montados já pensando em cortes curtos que possam viralizar nas redes poucos minutos depois de irem ao ar, mantendo o assunto aquecido até o próximo episódio.
Do lado de quem assiste, o celular funciona como extensão do entretenimento. Uma cena de novela vira meme, um comentário de apresentador vira print, um trecho de música vira trend. Para muitos, acompanhar o programa sem poder ver as reações nas redes é quase como assistir “pela metade”. A sensação de estar por dentro passa tanto pela trama quanto pelo comentário instantâneo.
Vantagens e riscos de ver TV com o celular na mão
Analistas apontam que a segunda tela aumenta o engajamento e dá às equipes de produção um termômetro imediato do que funciona ou não. Ao mesmo tempo, há alertas sobre excesso de estímulos. Dividir a atenção entre TV e celular pode fazer o público perder detalhes da trama e consumir tudo de forma mais fragmentada, pulando de notificação em notificação.
Outro ponto é a pressão por estar sempre reagindo. Em realities, torcidas organizadas se formam nas redes, e a experiência de assistir passa a envolver disputa de narrativas, mutirões e cancelamentos. A diversão continua, mas vem acompanhada de uma camada de desgaste emocional que antes não existia com a TV tradicional.
Apesar dos riscos, o movimento parece irreversível. A segunda tela deixou de ser distração para virar parte do próprio entretenimento. Em um cenário em que atenção é o recurso mais disputado, novelas, realities e programas ao vivo sabem que, hoje, brigar contra o celular é inútil. O jogo é outro: transformar o celular em aliado para manter o público por perto até o último bloco.
