Celebrando a tradição do bumba meu boi e suas raízes populares, o curta-metragem Coração de Boi está em produção na cidade de Maceió, capital de Alagoas.
A produção reúne cerca de 25 profissionais e mais de 50 figurantes – muitos deles integrantes autênticos de grupos de boi da capital alagoana -, numa iniciativa que une memória afetiva, tradição popular e força criativa local. A realização é da Fuga Produções, em seu primeiro projeto audiovisual.
A trama acompanha Duda (Caio Macedo) e Zé (Ricardo Oliveira), amigos de infância e líderes de grupos rivais de bumba meu boi, durante um campeonato no bairro da Ponta da Terra.
A disputa cultural, no entanto, revela tensões que vão além da arena: uma antiga e silenciosa rivalidade entre os dois desperta sentimentos profundos que se confundem com desejo, orgulho e identidade. “Quando a competição serve de máscara para esconder o desejo, ninguém ganha”, antecipa a sinopse.
A direção do filme marca a estreia do ator Erom Cordeiro (A Divisão, Doutor Gama) no comando de um set. Ele divide a função com Ricardo Oliveira (Espelho D’água, Licença para Enlouquecer), idealizador do projeto e coautor do roteiro ao lado de Caio Macedo (Pedágio, Ruas da Glória).
Além da dupla de protagonistas, o elenco conta com Pedro Walisson (Samuel Foi Trabalhar), Wanderlândia Melo (A Barca) e Murillo Alves.
A fotografia é assinada por Wilssa Esser (Levante, O Nosso Pai), e o projeto tem apoio da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Maceió.
As filmagens do curta seguem até terça-feira (6), com locações nos bairros históricos de Jaraguá e da Ponta da Terra, sendo este último, berço do folguedo e local onde Ricardo viveu a infância.
“A batida da percussão se aproximando acelera meu coração até hoje. Crescer com a magia do boi moldou minha relação com a arte”, comenta o ator, que também assina a produção.
A pré-produção envolveu meses de preparação com a comunidade local: foram realizados ensaios, visitas aos grupos de boi, aulas de dança com vaqueiros e releituras do roteiro a partir de vivências reais.
“O universo do boi sempre povoou minha memória. Quando fui convidado para dirigir, percebi que essa também era uma história minha”, compartilha Erom.
“Nosso laboratório tem sido feito com o povo que vive o boi. Isso nos permitiu revisitar nossas raízes nordestinas com verdade e encantamento”, reforça Caio.
