A trajetória de Fernando Collor de Mello volta ao centro do debate com ‘Caçador de Marajás’, docussérie original do Globoplay. A produção estreou em 16 de outubro de 2025 e reúne 7 episódios que reconstroem do ambiente familiar em Alagoas ao auge político em Brasília, passando por marketing de campanha, medidas econômicas e o desfecho que culminou no impeachment, em 1992.
Dirigida por Charly Braun, a série combina acervo histórico, cenas raras e depoimentos de ex-presidentes e jornalistas que acompanharam a crise no período.
Com classificação indicativa de 12 anos, a série é apresentada como biografia documental e organiza a narrativa em blocos temáticos. O ponto de partida é o apelido que projetou Collor nacionalmente — o “caçador de marajás” — e o contexto que levou à vitória nas primeiras eleições diretas para presidente após a ditadura. A partir daí, os episódios avançam por bastidores do governo, o papel de aliados e adversários e a escalada de denúncias que abalaram o Planalto.
Logo no início, o capítulo “Filhos do poder” visita disputas internas da família e a formação do político que ganharia projeção nacional. O arco seguinte acompanha a campanha de 1989, com foco em TV, jingles e estratégia de palanque que ajudaram a consolidar a imagem de “salvador da pátria”.
Em seguida, a produção mergulha nos primeiros meses de gestão, destaca medidas de choque contra a hiperinflação — como o Plano Collor — e mostra como decisões econômicas e crises sucessivas cobram preço político.
A série também revisita o cerco em torno do poder. Traz fontes do jornalismo político e personagens do alto escalão para reconstituir a cronologia da crise, das denúncias públicas à abertura do processo que levaria à perda do mandato. Um dos diferenciais está no uso de grandes entrevistas — inclusive com ex-presidentes —, que contextualizam decisões e ampliam a percepção de como a opinião pública se moldou entre 1990 e 1992.
O recorte evita linha do tempo burocrática. Em vez disso, alterna vida privada e cena pública, o que projeta contrastes: ambição e desgaste, popularidade e isolamento, discurso e consequência. O resultado é uma narrativa de arquivo e testemunhos que, além de reconstituir fatos, recupera como se formou a memória coletiva sobre a “era Collor”.
Como assistir e bastidores da produção
‘Caçador de Marajás’ é exclusiva do Globoplay e integra a prateleira de Originais. São sete episódios, com durações que variam entre 40 e 60 minutos, pensados para maratona contínua ou consumo em capítulos independentes. A direção é de Charly Braun, com roteiro do próprio diretor em parceria com Bruno Passeri, Guilherme Schwartsmann e Miguel Antunes Ramos. A realização é da Boutique Filmes e da Waking Up Films.
O projeto aposta em acervo da Globo e de outros arquivos históricos, o que inclui telejornais, campanhas e registros de época. A proposta editorial é iluminar bastidores pouco explorados e cruzar visões: a do protagonista, a de familiares e a de quem cobriu o poder por dentro. Essa combinação de memória audiovisual e entrevistas atuais organiza perguntas que seguem no imaginário político brasileiro, do impacto econômico do confisco à relação entre comunicação, carisma e governabilidade.
Para quem busca contexto histórico, a série funciona como guia sobre o período pós-constituinte, o ambiente que permitiu a ascensão meteórica de Collor e a tensão que tomou conta do país quando denúncias envolvendo o círculo próximo ganharam escala. Para quem se interessa por linguagem de campanha e construção de imagem, é um inventário de estratégias que moldaram a disputa mais televisiva do fim do século XX. E, para quem quer rever o arquivo, o título reúne materiais restaurados e organizados em sequência, com edição atual e leitura de época.
