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8 segredos de Michael Jackson revelados pelos próprios seguranças

Relatos atribuídos aos ex-seguranças pessoais de Michael Jackson, que inspiraram livro e filme biográfico

Michael Jackson deitado na maquina - @Reprodução
Michael Jackson deitado na maquina - @Reprodução

Pouco depois da morte de Michael Jackson, em 2009, duas figuras até então quase invisíveis passaram a ser ouvidas com atenção por fãs e curiosos: Bill Whitfield e Javon Beard, seguranças que conviveram de perto com o cantor em seus últimos anos de vida. As versões que eles contaram em entrevistas e no livro “Remember the Time: Protecting Michael Jackson in His Final Days” ajudaram a preencher lacunas de um período marcado por isolamento, disputas familiares, problemas financeiros e preparação para o retorno aos palcos.

Os relatos não são a “verdade definitiva” sobre o rei do pop — parte da própria base de fãs questiona detalhes e precisão de memórias reconstruídas anos depois. Mas, quando tratados como aquilo que são (testemunhos diretos, sujeitos a contestação), oferecem um retrato mais humano de Michael: um homem genial, vulnerável, obcecado com proteção, capaz de gestos inesperados de carinho, mas também frio em conflitos com familiares.

A seguir, o BR104 organiza esses episódios em formato de reportagem, separando o que é atribuído aos seguranças, o que foi documentado em livro/entrevista e o contexto público conhecido.

Michael Jackson - @Reprodução

Michael Jackson – @Reprodução

1 – Vida em fuga: disfarces, paranoia e o “príncipe” no mercado

Segundo Whitfield e Beard, uma constante na rotina do cantor era a dificuldade em realizar atividades simples, como ir ao mercado com os filhos, sem transformar o passeio em caos. Em 2007, durante férias discretas na Virgínia, Michael teria insistido em fazer compras pessoalmente. Para evitar reconhecimento, cobriu o rosto com um véu, enquanto os seguranças se mantinham a certa distância.

O disfarce funcionou ao contrário: funcionários teriam estranhado a figura encoberta e passaram a monitorá-lo temendo furto. Para evitar exposição, os seguranças explicaram que se tratava de um “príncipe” estrangeiro, justificando a escolta e o véu. Mais tarde, ao saber como fora apresentado, Michael teria reagido com ironia, lembrando da rivalidade midiática com Prince.

O episódio, relatado pelos ex-funcionários, ilustra o ponto central da narrativa deles: a sensação de que, em qualquer lugar, Michael precisava esconder o próprio rosto para existir em relativa paz.

Michael Jackson usando chapéu - @Reprodução

Michael Jackson usando chapéu – @Reprodução

2 – Portões arrombados, brigas de família e confiança abalada

Os seguranças também descrevem conflitos recorrentes com familiares. Em um dos episódios, um carro teria rompido o portão da casa de Michael, em Las Vegas. Diante do impacto, Whitfield sacou a arma e se preparou para reagir, até perceber que o motorista era Randy Jackson, irmão do cantor.

Randy, segundo o relato, exigia pagamento de dívidas. Michael teria se recusado a recebê-lo e mandado os seguranças “resolverem” a situação. A polícia foi chamada para conter o irmão, que teria permanecido na porta por mais de duas horas.

Outro episódio envolve o patriarca Joe Jackson, com quem Michael disse publicamente ter vivido agressões na infância. Os seguranças afirmam que Joe chegou a forçar a entrada em uma das casas do filho, sendo contido e retirado pela equipe. Em entrevistas e no livro, Whitfield e Beard descrevem um artista que limitava de forma rígida o acesso da própria família, temendo pressões financeiras e vazamento de informações.

É importante registrar: parte da família Jackson contesta versões que reforçam esse distanciamento ou critica quem lucra com memórias privadas. A leitura dos bastidores segue, portanto, dividida.

3 – Botões de pânico, noites em claro e o medo como rotina

Os depoimentos dos seguranças ajudam a compor outro traço da fase final de Michael: a paranoia.

Eles relatam que o cantor mandou espalhar botões de pânico por vários cômodos da casa. Ao ser acionado, o dispositivo indicava aos seguranças onde ele estava e que precisava de ajuda imediata. Em mais de uma ocasião, o alarme teria sido disparado por engano — inclusive por uma das crianças, curiosa com o botão.

Segundo os ex-funcionários, Michael dormia pouco, desconfiava de quase todos, temia invasões, processos e novos escândalos. Esse clima de vigilância permanente dialoga com o contexto da época: anos após as acusações por abuso infantil, absolvido em 2005, mas nunca totalmente “absolvido” pela opinião pública.

A imagem que emerge é de um artista que, mesmo cercado por seguranças armados, sentia-se exposto e vulnerável.

4 – O pacote misterioso e a sombra dos medicamentos

Outro ponto repetido em entrevistas é a existência de “pacotes” buscados com frequência por seguranças em locais específicos, cujo conteúdo nunca teria sido plenamente revelado. O próprio histórico público de Michael com medicamentos controlados — tema central nas investigações sobre sua morte — alimenta especulações.

Os relatos, no entanto, permanecem no campo da insinuação: não há confirmação documental sobre o que era entregue, apenas a percepção dos seguranças de que se tratava de algo sensível.

Do ponto de vista jornalístico, o importante é marcar o limite: são relatos de bastidores, não laudos. O que está comprovado é que, anos depois, a Justiça responsabilizou o médico Conrad Murray pela administração inadequada de propofol, levando à morte do cantor em 2009. Qualquer associação direta entre os “pacotes” anteriores e esse desfecho permanece sem prova.

5 – Segredo de pai: filhos protegidos, máscaras e horários calculados

Os seguranças descrevem um Michael extremamente atento à privacidade dos filhos. Máscaras em público, rotas alternativas, proibição de fotos não autorizadas e rotina doméstica pensada para que as crianças o vissem sempre em casa ao acordar.

Relatos de encontros amorosos discretos, como o de uma mulher do Leste Europeu que ele visitaria em segredo, vêm sempre acompanhados de um detalhe: segundo os seguranças, Michael fazia questão de voltar antes do amanhecer para estar com os filhos no café da manhã.

Essas passagens, que aparecem em “Remember the Time” como contraponto à imagem pública do astro excêntrico, tentam humanizá-lo como pai presente, ainda que cercado de segredos.

Michael Jackson com os filhos - @Reprodução

Michael Jackson com os filhos – @Reprodução

6 – Generosidade silenciosa: a noite em que distribuiu dinheiro a pessoas em situação de rua

Entre os bastidores narrados pela equipe de segurança há episódios que reforçam um traço conhecido da carreira de Michael: gestos de caridade pouco divulgados.

Em uma das histórias, o cantor circulava de limousine por Las Vegas quando se impressionou com o número de pessoas em situação de rua. Teria pedido ao motorista que parasse, chamado uma mulher até a janela e lhe entregue dinheiro em espécie. Ao ver um homem tentando tomar o valor dela, ordenou nova parada e deu a mesma quantia ao segundo, tentando evitar o conflito.

Os seguranças contam que a cena o impactou tanto que ele passou a noite distribuindo notas para outras pessoas desabrigadas. A narrativa é coerente com registros oficiais de doações e ações beneficentes ao longo da vida do artista, mas, como os demais episódios, depende da palavra de quem o acompanhava.

7 – Romances discretos, apelidos e o lado íntimo que ele não mostrava

Outra frente explorada pelos ex-seguranças são os supostos relacionamentos afetivos mantidos com discrição. Eles mencionam mulheres que visitariam o cantor em horários controlados, sempre longe das câmeras, e o jeito animado com que ele as recebia.

Os relatos falam em apelidos carinhosos e encontros cuidadosos para não expor nem os filhos nem as convidadas. Nenhum desses nomes é confirmado publicamente, e parte da crítica considera esse tipo de revelação uma invasão tardia de privacidade. Ainda assim, esses trechos ajudam a confrontar a narrativa de que Michael seria incapaz de estabelecer vínculos íntimos adultos.

8 – À beira da falência: dívida milionária e salários atrasados

Um dos capítulos mais sensíveis das memórias é o financeiro. De acordo com Whitfield e Beard, havia períodos em que cartões de crédito do cantor eram recusados, salários de funcionários atrasavam e contas do cotidiano se acumulavam. Eles descrevem um patrão generoso, mas incapaz de controlar o próprio padrão de gastos.

Relatórios públicos de processos, disputas por bens e estimativas de consultores indicam que, de fato, Michael chegou a enfrentar dívidas expressivas na casa das centenas de milhões de dólares, sustentando mansões, equipe numerosa e projetos grandiosos, enquanto a renda caía na ausência de turnês.

Após sua morte, em 2009, o espólio conseguiu reverter parte desse quadro: renegociou dívidas, licenciou o catálogo e, em poucos anos, o nome Michael Jackson voltou a gerar centenas de milhões de dólares — dinheiro administrado pelos herdeiros e administradores do estate, não mais pelo artista.

Michael Jackson sorrindo - @Reprodução

Michael Jackson sorrindo – @Reprodução

Entre mito e memória: como ler os relatos dos seguranças

A principal contribuição dos depoimentos de Bill Whitfield e Javon Beard — e de obras derivadas, como o filme “Michael Jackson: Searching for Neverland” — é oferecer uma visão de dentro sobre um período pouco documentado da vida do cantor, entre o fim dos anos 2000 e os preparativos para a turnê “This Is It”.

Ao mesmo tempo, parte da comunidade de fãs e de pessoas próximas ao astro questiona motivações, possíveis exageros e a exposição da intimidade de alguém que sempre tentou controlar o que mostrava ao mundo. Há quem veja no livro um retrato respeitoso de um homem fragilizado; outros enxergam exploração pós-morte.

Para o leitor, o caminho mais responsável é encarar esses relatos como peças de um quebra-cabeça: ajudam a compreender dimensões da solidão, do medo, da generosidade e da desorganização financeira de Michael Jackson — mas não substituem documentos oficiais, decisões judiciais, entrevistas de familiares nem a própria obra do artista.