MACEIÓ, AL, 06/04/2026 — O encerramento do prazo para trocas partidárias e desincompatibilização no último sábado (04/04/2026) consolidou não apenas as chapas políticas, mas também o mapa de apoios religiosos em Alagoas.
O voto evangélico, decisivo em pleitos anteriores, surge agora fragmentado entre os dois principais blocos que disputarão o Palácio República dos Palmares.
De um lado, o grupo liderado pelo ex-ministro Renan Filho (MDB), pré-candidato ao Governo do Estado, conta com a estrutura da máquina estadual. Do outro, o bloco do agora prefeito Rodrigo Cunha e do ex-prefeito JHC aposta no discurso conservador para manter a base fiel.
O avanço dos Calheiros no segmento
Historicamente mais alinhado ao centro-esquerda, o grupo dos Calheiros intensificou a aproximação com lideranças de grandes ministérios no interior e na periferia de Maceió. A estratégia foca na entrega de obras e parcerias sociais via governo estadual.
Lideranças ligadas a convenções tradicionais e ministérios independentes em cidades como União dos Palmares e Arapiraca sinalizaram apoio ao projeto de Renan Filho. Para este grupo, a previsibilidade de recursos e o diálogo direto com o Palácio são os principais atrativos para a aliança.
O bloco JHC/Cunha e a pauta de costumes
Rodrigo Cunha assume a prefeitura mantendo a forte conexão religiosa herdada de JHC. Este bloco detém o apoio de nomes expressivos da Assembleia de Deus e de igrejas neopentecostais de grande alcance mediático.
O discurso focado em pautas de costumes e na defesa de valores familiares tradicionais é o trunfo para segurar o eleitorado conservador.
Durante este fim de semana, diversos pastores utilizaram as redes sociais para reforçar o alinhamento com a nova gestão municipal, consolidando Maceió como o “bunker” de resistência ao grupo emedebista.
Impacto na Assembleia Legislativa
A divisão nas igrejas reflete diretamente na disputa pelas vagas de deputado estadual e federal. Candidatos que possuem “identidade cristã” estão distribuídos estrategicamente nos dois grupos, buscando captar o voto de opinião que nasce nos templos.
A análise da política local indica que, até outubro de 2026, a disputa pelo apoio formal de convenções será um dos eixos centrais das campanhas, com ambos os lados prometendo espaços na administração em troca da mobilização da fé.
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