O novo pacote de tarifas imposto pelo ex-presidente americano Donald Trump sobre produtos importados do Brasil terá impacto direto na economia de Alagoas. Segundo estimativa baseada em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre 95% e 100% das exportações alagoanas para os Estados Unidos passarão a ser sobretaxadas, sem alívio na lista de 694 isenções publicada pela Casa Branca.
O decreto, em vigor desde 6 de agosto, adicionou uma tarifa de 40% sobre os produtos brasileiros, elevando o total da sobretaxa para 50%. A medida afeta ao menos metade das exportações em 22 estados, mas é especialmente severa no Norte e Nordeste, onde há maior concentração de bens de baixo valor agregado e mão de obra intensiva, como pescados, frutas, calçados e derivados animais.
Entre os estados que sofrem impacto total estão Alagoas, Tocantins, Acre, Amapá, Ceará, Rondônia e Paraíba. No caso alagoano, praticamente todos os produtos exportados para o mercado americano entram nas categorias tarifadas.
O estado tem participação relativamente pequena das exportações destinadas aos EUA no volume total de vendas ao exterior, mas alguns setores e microrregiões são altamente dependentes desse comércio, o que eleva o risco econômico local.
Produtos como açúcar, derivados animais, pescados e mel — em grande parte produzidos por cooperativas e pequenos produtores — devem enfrentar forte redução na competitividade. Para alguns empresários, a medida pode inviabilizar contratos já em andamento, especialmente aqueles fechados antes do anúncio do tarifaço.
Estudo do FGV Ibre indica que, diferentemente do Sudeste e Centro-Oeste, o Nordeste não foi beneficiado pela lista de isenções. Isso significa que cadeias produtivas locais, como a indústria pesqueira no litoral norte e a agroindústria açucareira no interior de Alagoas, terão aumento direto no custo final dos produtos destinados aos Estados Unidos.
O economista Flávio Barreto explica que o problema não está apenas no valor absoluto das exportações, mas na concentração da pauta exportadora:
“São setores de baixa diversificação e alta dependência de um mercado específico. Quando praticamente 100% das vendas para um parceiro comercial são tarifadas, o risco de fechamento de plantas e perda de postos de trabalho aumenta significativamente”, afirmou.
Cenário nacional
O impacto mais alto em valores absolutos será sentido no Sudeste, que concentra as maiores exportações brasileiras, mas o efeito proporcional é mais intenso no Norte e Nordeste.
Enquanto estados como São Paulo tiveram isenção para produtos estratégicos — como aviões, petróleo e suco de laranja —, Alagoas e outros estados da região não receberam alívio relevante.
Especialistas alertam que, sem uma negociação diplomática, a medida pode estrangular cadeias produtivas locais, desde empresas exportadoras até pequenos fornecedores que dependem desses contratos para manter a produção.
