No Brasil, cada balcão (Serasa, SPC, Boa Vista, Quod) calcula o score com metodologia própria, mas todos partem da mesma lógica: a pontuação é um retrato estatístico do risco de inadimplência. Ou seja, ela não “desce sozinha”. Há sinais que, somados, indicam maior probabilidade de atraso — e o algoritmo reage.
Muitas quedas acontecem quando o consumidor mantém hábitos que o sistema interpreta como risco: atrasos frequentes, uso crônico de crédito rotativo, pedidos sucessivos de novos cartões ou empréstimos, ou ainda informações cadastrais incoerentes. Outro ponto pouco comentado é a falta de histórico positivo. Sem dados atualizados de pagamentos em dia (Cadastro Positivo ativo e alimentado), o algoritmo tem menos evidências a seu favor.
Os sete movimentos que mais derrubam pontos
- O primeiro fator é o atraso no pagamento, mesmo que curto. Repetição de atrasos pesa mais do que um episódio isolado.
- O segundo é a utilização alta do limite por longos períodos, especialmente quando a fatura entra no rotativo: indica pressão no orçamento.
- O terceiro é o excesso de consultas ao CPF para novas linhas de crédito em um intervalo curto, que sugere busca urgente por financiamento.
- O quarto é a negativação (débito registrado em bases de inadimplentes) ou protesto; enquanto ativo, exerce forte influência.
- O quinto é o endividamento concentrado perto dos limites — muitos contratos ao mesmo tempo, parcelas altas em relação à renda e refinanciamentos sucessivos.
- O sexto é a instabilidade cadastral: telefone, endereço e e-mail desatualizados ou divergentes entre instituições sinalizam risco operacional.
- O sétimo é a escassez de histórico positivo: com o Cadastro Positivo desativado ou “pobre” de informação, pagamentos em dia deixam de contar a seu favor.
Como reverter com segurança (e sem promessas milagrosas)
A recuperação começa pelo básico: pague em dia de forma consistente e evite o rotativo. Se possível, ajuste as datas de vencimento para depois do recebimento de salário e configure lembretes. Reduza o uso do limite do cartão e das linhas do cheque especial; manter a utilização controlada por alguns ciclos é um dos sinais mais fortes de melhora. Evite pedidos de crédito em sequência: concentre suas solicitações e dê tempo para o algoritmo “ver” o novo padrão de comportamento.
Se houver dívida negativada, negocie, quite e acompanhe a baixa do registro; a exclusão costuma ocorrer em poucos dias úteis após o pagamento, e o histórico passa a contar a seu favor. Ative o Cadastro Positivo e garanta que contas de consumo e telecom apareçam pagas no prazo — esse fluxo alimenta o score com evidências de adimplência. Atualize seus dados diretamente nos bureaus e nas instituições com as quais você se relaciona; reduzir inconsistências melhora o perfil de risco.
Outro caminho é reorganizar o crédito já contratado. Trocar dívidas caras por uma linha mais barata (com prazo e parcela que caibam no orçamento) ajuda a estabilizar o fluxo de caixa e evita novos atrasos. Quando possível, antecipe parcelas ou quite pequenos contratos para reduzir o volume total de compromissos ativos.
O que não funciona (e o que evitar)
Não há “atalho secreto” ou serviço pago que aumente pontos de um dia para o outro. Desconfie de promessas de “score 900 garantido”. Também não é boa prática “testar” vários cartões de uma vez: além de multiplicar consultas, aumenta a chance de indeferimento, o que reforça o sinal de risco. Outro mito é que “não usar cartão ajuda”; na verdade, usar com disciplina e pagar integralmente gera histórico positivo — é melhor do que não ter dado algum.
Acompanhe o resultado e mantenha o ritmo
Monitore a pontuação pelos aplicativos oficiais e ative alertas de variação e de negativação. A melhora costuma ser gradual: alguns pontos aparecem em poucas semanas; mudanças mais robustas dependem de ciclos completos de faturamento e de atualização das bases. O que acelera o processo é a consistência — contas em dia, uso moderado do crédito e cadastro ativo e confiável.
Em resumo, o score responde a comportamento. Quando os sinais mudam, a pontuação acompanha. Foque no que é mensurável — pagar em dia, reduzir utilização, evitar consultas em excesso, limpar restrições, ativar o histórico positivo — e o número volta a trabalhar a seu favor.
