ALAGOAS — A safra de cana-de-açúcar 2025/26 em Alagoas deve alcançar a marca de 18 milhões de toneladas processadas, mantendo a tendência de crescimento do ciclo anterior.
Com quatro meses de moagem concluídos, o setor projeta uma alta de até 3,4% na produção, impulsionada por uma mudança estratégica das usinas: o foco agora é a produção de etanol, que deve atingir a marca histórica de 500 milhões de litros neste ciclo.
A decisão de priorizar o combustível em detrimento do açúcar reflete o cenário econômico atual. Segundo o Sindaçúcar-AL, o etanol oferece hoje uma remuneração mais adequada no mercado interno do que o açúcar no mercado internacional. Como reflexo, a projeção para a fabricação de açúcar foi ajustada de 1,5 milhão para cerca de 1,1 milhão de toneladas.

Usina de cana-de-açúcar em funcionamento, com transporte e processamento da matéria-prima para produção industrial. (Foto: Reprodução)
Moagem tardia e maturação da cana
Até a primeira quinzena de dezembro, as unidades industriais de Alagoas haviam processado 9,5 milhões de toneladas de cana. O volume é 9,6% menor que o registrado no mesmo período da safra passada, mas o recuo é estratégico.
De acordo com Pedro Robério Nogueira, presidente do Sindaçúcar-AL, as usinas optaram por adiar o início da moagem para garantir o pleno amadurecimento da matéria-prima no campo.
Na região Norte e Nordeste como um todo, o setor processou 32,5 milhões de toneladas até o fim de novembro. O presidente da NovaBio, Renato Cunha, destaca que, apesar de ser um ciclo mais curto e desafiador para o Nordeste, o setor demonstra resiliência, especialmente com o crescimento do etanol anidro, fundamental para as metas de descarbonização do país.
Impacto econômico na Zona da Mata
Para municípios como União dos Palmares, o desempenho da safra é o principal termômetro da economia local. O aumento de 3,4% na moagem sinaliza a manutenção de postos de trabalho no campo e na indústria, além de garantir a circulação de renda no comércio regional durante o primeiro semestre de 2026.
Fonte: Dados baseados em relatório do Sindaçúcar-AL e NovaBio.
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